Os tradutores árabes fizeram muito mais que somente preservar a filosofia grega (1)

Autoria: Peter Adamson

Tradução e Comentários: José Farhat

Na antiguidade europeia, os filósofos em grande parte escreveram em grego. Mesmo depois da conquista romana do Mediterrâneo e a cessão do paganismo, a filosofia foi fortemente associada à cultura helênica. Os principais pensadores do mundo romano, tais como Cícero[3] e Sêneca[4], eram embebidos de literatura helênica; Cícero inclusive foi a Atenas para prestar homenagem à casa de seus heróis filosóficos. Ditosamente o Imperador Marco Aurélio[5] foi tão longe quanto escrever suas Meditações em grego. Cícero, e depois Boécio[6], tentaram iniciar uma tradição filosófica em latim. Porém nas antigas Idades Médias, a maioria do pensamento grego era acessível em latim somente parcial ou indiretamente.

Alhures, a situação era melhor. Na parte leste do Império Romano, os grego-falantes bizantinos podiam continuar a ler Platão[7] e Aristóteles[8] no original. E os filósofos do mundo islâmico desfrutavam de um extraordinário grau de acesso à herança intelectual helênica. Em Bagdá do século X, leitores árabes tinham o mesmo grau de acesso a Aristóteles quanto os leitores em inglês na atualidade.

Isto foi graças a um muito bem remunerado movimento de tradução que se revelou durante o califado abássida[9], começando na segunda metade do século VIII. Patrocinado por altos níveis, até mesmo pelo Califa[10] e sua família, este movimento objetivou importar a filosofia e a ciência grega para a cultura islâmica. O império deles tinha recursos para tal, não só financeiramente, mas culturalmente também. Desde a antiguidade tardia até a ascensão do Islã, o grego sobreviveu tal como língua de atividade intelectual entre cristãos, especialmente na Síria. Então quando a aristocracia muçulmana decidiu ter a ciência e a filosofia gregas traduzidas para o árabe, foi para os cristãos que eles se voltaram. Algumas vezes, um trabalho em grego poderia ser traduzido antes para o siríaco[11] e só depois para o árabe. Foi um imenso desafio. O grego não é uma língua semítica, então eles se movimentavam de um grupo linguístico para outro, tal como traduzir do finlandês para o inglês. E não existia, no início, qualquer terminologia para expressar ideias filosóficas em árabe.

O que levaria a classe política abássida a sustentar este enorme e difícil empreendimento? Parte da explanação é sem dúvida a pura utilidade do corpus científico: texto-chave em disciplinas tais como engenharia e medicina tinham obviamente aplicações práticas. Só que isto não nos diz por que os tradutores eram regiamente pagos para traduzir, por exemplo, a Metafísica de Aristóteles ou a Enêida de Plotino[12] para o árabe. Pesquisas pelos principais eruditos do movimento da tradução grego-árabe, especialmente Dimitri Gutas[13] em Greek Thought, Arabic Culture (1998), sugere que os motivos eram de fato profundamente políticos. Os califas queriam estabelecer sua própria hegemonia cultural, em competição com a cultura persa e também com a dos vizinhos bizantinos[14]. Os abássidas queriam mostrar que eles podiam dar continuidade à cultura helênica melhor que os bizantinos grego-falantes, ignorantes como eles eram pela irracionalidade da teologia cristã.

[1] Peter Adamson é professor de filosofia na Ludwig Maximilian University of Munich. Ele é autor de inúmeros livros, incluindo The Arabic Plotinus (2002), Great Medieval Thinkers: al-Kindi (2007) e Philosophy in the Islamic World (2007) e hospeda o podcast History of Philosophy.

[2] Tradução e Notas de rodapé por José Farhat, cientista político, arabista e Diretor de Relações Internacionais do Instituto da Cultura Árabe para publicação pelo ICARABE com autorização da AEON.

[3] Cícero, cujo nome completo é: Marcus Tullius Cicero (106-43 aC), foi estadista romano, jurista, erudito e escritor. Tentou inutilmente defender os princípios republicanos no final das guerras civis que destruíram a República Romana. Seus escritos incluem livros de retórica, oratória, tratados filosóficos e políticos e cartas.

[4] Sêneca, cujo nome completo é Lucius Annaeus Seneca, o jovem (4 aC-65 dC), foi filósofo romano, estadista, orador e autor de tragédias, foi figura intelectual vanguardeira romana do primeiro século da era comum e o governante virtual de Roma, com seus amigos, Entre os anos 54 e62 dC durante a primeira fase do reinado do imperador Nero (37-68 dC), aquele que se tornaria infame por suas devassidões e extravagâncias e pelo incêndio de Roma.

[5] Marco Aurélio, cujo nome completo é Caesar Marcus Aurelius Antoninus Augustus (121-180 dC), foi imperador romano, mas mais famoso por seu livro Meditações, sobre filosofia estoica, simbolizou para muitas gerações a Idade de Ouro do Império Romano. O estoicismo é uma escola de pensamento que floresceu nas antiguidades grega e romana. Para os registros da civilização ocidental foi uma das mais sublimes filosofias. Ao incitar a participação nos assuntos humanos, os estoicos sempre acreditaram que o objetivo de toda indagação é prover um modo de conduta caracterizada pela tranquilidade mental e a certeza do valor moral.

[6] Boécio, cujo nome completo é Anicius Manlius Severinus Boethius (470-524 dC), erudito romano, filósofo cristão, estadista e autor do celebrado De consolatione philosophiae (Consolação da filosofia), uma obra neoplatônica na qual a procura da sabedoria e do amor de são descritos como a verdadeira fonte da felicidade humana. Boécio escreveu sobre teologia, compôs um poema pastoral e foi o mais famoso tradutor das obras gregas sobre lógica e matemática e também sobre aritmética e música.  Ele era evidentemente bastante conhecedor da língua grega.

[7] Platão (427-347 aC), antigo filósofo grego, estudante de Sócrates e professor de Aristóteles e fundador da Academia, mais conhecido como autor de obras filosóficas de influência sem paralelo.

[8] Aristóteles (384-322 aC), antigo filósofo grego e cientista, uma das mais importantes figuras da história ocidental, foi autor de um sistema filosófico e científico que se tornou a estrutura e o veículo tanto para a escolástica cristã quanto para a filosofia muçulmana medieval. Mesmo depois das revoluções intelectuais do Renascimento, da Reforma e do Iluminismo, os conceitos aristotélicos continuaram incorporados ao pensamento ocidental.

[9] Califado Abássida é a segunda maior dinastia do Império Islâmico. Ele teve início com a derrubada do Califado Omíada no ano 750 dC e durou até ser destruído pela invasão mongol em 1258 dC. O nome Abássida deriva do tio do Profeta Muhammad, al-Abbas (falecido em 653 dC), do clã Hashemita da tribo Quraish, de Meca. Desde cerca do ano 718, membros da família trabalharam para ganhar o controle do Império e, por meio de uma propaganda habilidosa ganhou apoio, principalmente dos xiitas árabes e persas. A revolta aberta começou em 747 sob a liderança de Abu Muslim que levou à derrota de Marwan II, o último Califa Omíada, na batalha do Grande Rio Zab na Mesopotâmia, seguida da proclamação de Abu al-Abbas as-Saffah como primeiro califa abássida. Sob a nova dinastia o califado entrou em nova fase focando-se não para o oeste – África do Norte, Mediterrâneo e sul da Europa como os omíadas – e sim para o leste, a começar pela remoção da capital para a nova cidade de Bagdá, observando atentamente os eventos das já vastas fronteiras. Pela primeira vez o califado não se coadunava com o Islã; no Egito, África do Norte, Espanha e além destas, dinastias locais reivindicavam status de califado. Com o advento dos abássidas a base de influência do império tornou-se internacional enfatizando a adesão à comunidade de muçulmanos em vez de se limitar a árabes. Como o maior apoio aos Abássidas vinha dos convertidos persas tornou-se natural a adoção de tradições governamentais dos persas Sassânidas. O apoio de piedosos muçulmanos levou os abássidas a publicamente reconhecerem a lei islâmica embrionária e a declarar que baseavam seu governo da religião muçulmana. Entre 750 e 833 o prestígio e poder do império foram intensificados pela promoção do comércio, indústria, artes e ciência, particularmente durante o reinado de al-Mansur, Harun al-Rashid e al-Maamun. O poder temporal deles começou a declinar quando al-Muutassim introduziu não muçulmanos tais como berberes, eslavos, e principalmente turcos mercenários em seu exército pessoal e, apesar dessas tropas terem se convertido ao Islã, a base da unidade imperial através da religião desapareceu e alguns dos oficiais do novo exército rapidamente aprenderam como controlar o califado através do assassinato de qualquer califa que não acedesse a suas reivindicações. O poder dos oficiais foi diminuído pelas rivalidades internas a começar quando os iranianos Buvides entraram em Bagdá em 945 para obrigar o califa al-Mustakfi, que reinou por dois anos, de 944 a 946, para que os reconhecesse únicos governantes do território que controlavam. Este evento iniciou um século inteiro durante o qual a maior parte do império era governada por dinastias seculares locais. Até que em 1055 os abássidas foram dominados pelos turcos Seljuques que se apoderaram do que restou ao califa de poder temporal, mas respeitando a posição como líder religioso, restaurando a autoridade do califado, especialmente durante o reino de Al-Mustarshid, al-Muqtafi an-Nasir. Logo a seguir, em 1258, a dinastia caiu durante o cerco Mongol de Bagdá. A Dinastia Abássida durou 508 anos

[10] Califa é o sucessor do profeta Muhammad na qualidade de guia ou líder temporal e espiritual da comunidade islâmica (a umma). O título passaria a ser usado por todos os líderes muçulmanos daí em diante.

[11] Siríaco é uma antiga língua semítica, usada ainda na liturgia de certas igrejas sírias.

[12] Plotino, em grego Plotinus, (205-270) foi um antigo filósofo, o centro de círculo influente de intelectuais e homem de letras do terceiro século de Roma, é considerado na atualidade como fundador da escola de filosofia Neoplatônica. É também famoso como autor da Eneida.

[13]Dimitri Gutas (nascido em 1945) é um arabista e helenista estadunidense, professor de Estudos Árabes e Islâmicos no Department of Near Eastern Languages and Civilizations, na Yale University. É autor de inúmeros livros, monografias e artigos de sua especialidade.

[14] Império Bizantino é a metade oriental do Império Romano que sobreviveu por mil anos depois que a metade ocidental romana desagregou-se em vários reinos feudais e cujo final resultou de uma carnificina turco-otomana em 1453. Bizantino é relativo à cidade de Bizâncio (atual Istambul, na Turquia) ou o seu natural ou habitante.

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Indícios da culpa de Israel na morte de Hammarskjöld

Nós tivemos o nosso Hammarskjöld, na pessoa de Bandeira de Melo, que igualmente deu a sua vida à busca da paz. Ambos merecem eterna gratidão da humanidade.

Dag Hammarskjöld, cujo nome completo é Dag Halmar Agne Hammarskjöld, nasceu em 1905 na Suécia e morreu em 1961 em estranho acidente aéreo cujos autores até hoje não foram identificados, apesar do grande número de interessados em seu desaparecimento, em território que hoje faz parte de Zâmbia. Economista de profissão, Hammarskjöld foi estadista sueco e por dois turnos secretário geral das Nações Unidas.

Já Sérgio Vieira de Melo, nascido em 1948, no Rio de Janeiro, teve morte igualmente trágica, em 2003, num ataque da al-Qaida que declaradamente o visava pessoalmente, em Bagdá. Sérgio descende de família de diplomatas. Ele obteve êxito e visibilidade no cenário internacional por sua atividade profissional diplomática a serviço das Nações Unidas e tinha Hammarskjöld como modelo de atuação, em sua firme defesa dos princípios da independência e da imparcialidade das Nações Unidas na defesa dos direitos e dos valores humanos.

Em recente artigo no Foreign Policy os jornalistas Paul McLeary e Adam Rawnsley se lembraram de Hammarskjöld em artigo intitulado Murder and the U.N. (Assassinato e a ONU) quando lançam uma pergunta constrangedora para aqueles que há decênios fingem que o assunto não lhes compete. A pergunta dos jornalistas é sintomática. Eles lançam a pergunta “Dag Hammarskjöld, o mais venerado e icônico secretário geral da história das Nações Unidas, foi assassinado por uma organização paramilitar da era da apartheid na República Sul Africana, com apoio da CIA, British Intelligence e uma companhia mineradora belga?” e respondem “pode ter sido”.

Só que a possibilidade apontada pelos jornalistas se torna mais próxima da certeza quando o  Secretário Geral da ONU, Ban Ki-moon tomou a iniciativa de propor a reabertura do inquérito sobre o assassinato de Hammarskjöld. Ki-moon não é mais quem exerce o cargo na ONU e o atual Secretário Geral, o português António Guterres, que tomou posse dia 1º de janeiro último, não parece enfrentar com a coragem que lhe é requerida, a dupla estadunidense-sionista, como já demonstrou no episódio de classificação de Israel como estado que pratica o apartheid, e talvez o inquérito morra mais uma vez.

Isto apesar de a iniciativa ter como base que a justifique a recente descoberta pelo governo sul-africano, por tanto pós-segregação racial, de documentos de inteligência detalhando a trama, apelidada de Operation Celeste que tinha como objetivo a morte de Hammarskjöld. Em carta recente para as Nações Unidas, as autoridades sul-africanas afirmaram que os documentos tinham sido transferidos para o seu Ministério da Justiça, permitindo assim que as autoridades da ONU possam examiná-los, conforme notícia que circula nos meios diplomáticos próximos ao assunto. A Missão da África do Sul junto às Nações Unidas não respondeu a perguntas dos jornalistas sobre o assunto. A CIA obviamente negou estar por trás da morte de Hammarskjöld qualificando a notícia de “absurda e sem fundamento”.

A Inteligência britânica responderia o mesmo que a CIA e nenhuma mineradora belga daria resposta diferente. Só que, como diz o samba: “naquela mesa está faltando ele” sim, está faltando Israel, aliado e sócio da África do Sul, nos respectivos programas nucleares e juntos interessadíssimos em que o urânio congolês continuasse nas mãos dos belgas, seus mercenários e governos corruptos vendilhões da riqueza do Congo. Os assassinatos cometidos somam dezenas de milhares e entre eles o líder congolês Patrice Lumumba que tinha os interesses de seu país acima de qualquer dúvida.

Continuemos então a verificar porque Hammarskjöld criou tantos ódios a ponto de o assassinarem.

Hammarskjöld foi um mediador de conflitos (ver: Dag Hammarskjöld and Conflit Mediation, Henning Melber, February 2016, Centre for Mediation in Africa Department of Political Sciences at the University of Pretoria) e, como sempre, o resultado pode ser palatável para um lado e nada agradável para o outro. O resultado nem sempre é pacífico e os casos de Hammarskjöld, Sérgio e também Lumumba o demonstram sobejamente.

 

De fato, a mediação de Hammarskjöld e seu time na Crise do Suez, quando o então presidente egípcio Gamal Abdel Nasser anunciou a nacionalização do Canal de Suez causou a reação imediata de duas potências de então, França e Grã Bretanha, que encomendaram a Israel iniciar de uma guerra contra o Egito que serviria de justificativa para uma intervenção de ambas sob o falho argumento de que a segurança regional, internacional e do próprio Canal estava sendo violada. A guerra injusta foi um fracasso e, como feria os planos dos Estados Unidos de participar ativamente nos destinos da região, passando Grã Bretanha e França para trás, e temendo que as iniciativas da União Soviética frutificassem, os Estados Unidos, por ordem de Dwight D. Eisenhower, o presidente de plantão, intervieram na questão e simplesmente foi suficiente ameaçar  Israel de cortar as ajudas financeiras e militares. A reação dos Estados Unidos deu um fim às pretensões de Paris, Londres e Tel Aviv de dominar o Canal. Começou então a mediação da crise entre o Egito e os países agressores por parte das Nações Unidas, sob o comando de Hammarskjöld.

Como não tinham como desobedecer “a voz de seu Mestre” estadunidense  militar ou diplomaticamente, os países agressores iniciaram uma campanha para ganhar a parada pela via diplomática e foram impedidos pela atuação de Hammarskjöld que passaria a ser, ao não permitir a violação da Carta das Nações Unidas, dada a sua mediação diplomática impecável, a favor das nações prejudicadas e contra os membros autores das agressões e obviamente de Israel.

Em futuro artigo, veremos como cresceria esta atitude hostil de Israel contra o Secretário Geral das Nações Unidas. Por enquanto, aguardemos o que fará Guterres.

José Farhat

23/05/2017

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A Feira Internacional de Damasco

Raros são os meios de comunicações que noticiaram uma boa nova a respeito da Síria; se de uma má notícia se tratasse, o fato estaria estampado em muitas primeiras páginas, inclusive, entre nós: Estadão, Folha, Globo et caterva.

Felizmente, nada está perdido. Ouvimos, como poucos, vozes amigas, algumas de velhos amigos, vindas da própria Síria, de que em seguida ao acordo de cessar-fogo entre os combatentes, legais e ilegais, os refugiados sírios começaram a voltar para suas casas, grande parte das quais transformadas em ruínas a serem reconstruídas, com o ímpeto que não lhes faltou quando tudo abandonaram em busca da sobrevivência e não seria agora que lhes iria faltar.

A grande notícia é que Damasco, onde o Barada corre faceiro balançando ao ar sereno e doce, inaugurou sua primeira moderna Feira Internacional, após uma paralisia de cinco anos, desde 2011, poucos meses antes do início dos acontecimentos terríveis que se seguiriam.

Estive na inauguração da Feira Internacional de Damasco sob os auspícios do então Presidente Hafiz Al-Assad, em 1954. Eu era Oficial de Chancelaria da Missão Diplomática do Brasil – que se tornaria Legação e depois Embaixada do Brasil na Síria. Participei anos depois, já como representante de firmas brasileiras e, apesar de viajar a cada três meses para Bagdá durante dezessete anos e meio, passei por Damasco várias vezes, sempre e enquanto havia voos da SAS entre as duas capitais, com destino à Escandinávia e até quando a rixa interna entre o Partido Baath da Síria e o do Iraque o permitiu.

A reabertura da Feira é fato plenamente relacionado com a capacidade do Exército sírio de recuperar províncias ocupadas pelos inimigos da Nação Árabe e das Religiões minoritárias e majoritárias regionais, portadores de bandeiras pecaminosas e ideias assassinas, sob a falsa cobertura de uma Religião que os desconhece e os condena!

Este é um renascer da Síria? Acho que sim. A tentativa de sabotar a Feira, horas após a inauguração foi um fracasso e os inimigos do povo sírio só conseguiram matar alguns ciadãos civis inocentes, como fizeram sem cessar durante os últimos anos de luta armada na Síria.

É bom ouvir o Ministério da Defesa da Síria confirmar que suas forças e combatentes aliados liberaram a Usina de Gás de Tuweiyan, no campo produtoir do mesmo nome, o campo de gás de Akram e o de Ghadur, removendo dezenas de minas plantadas nestas localidades por aqueles que atuavam a soldo de potências estrangeiras e, lamentavelmente, árabes também.

A repercussão da inauguração da Feira e informações sobre a atual situação na Síria, foi dada pela Global Research, um centro canadense de pesquisa sobre a globalização que costuma pesquisar o que a imprensa mal intencionada nem pesquisa e nem tampouco divulga.

Não só a Global Reasearch divulgou o discurso pronunciado por Bouthaina Shaaban, consultora de política e imprensa do presidente sírio Bashar al-Assad. A rede libanesa de televisão al-Mayadeen transmitiu o discurso de Shaaban e também uma entrevista exclusiva.

São dignas de nota ambas as falas da Consultora presidencial. Ela afirmou que “a inauguração da Feira Internacional de Damasco e a participação regional no evento provam uma reviravolta concluída na crise patrocinada desde o exterior”.

            Ela disse também que “a guerra chegou a seu penúltimo estágio com a mudança de atitude das forças estrangeiras que apoiaram militarmente a crise e suas mudanças de políticas”. Shaaban disse também que “ a Feira é uma derrota para seus projetos, mas isto não significa que ganhamos totalmente a guerra [pois] estamos apenas começando a trilhar o caminho da reconstrução da Síria”. A principal consultora criticou a Turquia por apadrinhar o terrorismo dizendo sempre uma coisa e fazendo outra.

Quanto aos Estados Unidos ela deixou bem claro que “o Governo estadunidense não terá sucesso na implementação de qualquer plano de partição da Síria”.

Ao final de seu discurso Disse Shaaban: “Assim como derrotamos o terrorismo, combateremos a presença ilegítima em nossa terra, quer sejam dos Estados Unidos ou da Turquia”.

Por outro lado, Adam Garrie, redator no canal informativo cipriota The Durant, uma publicação que incomoda a imprensa que não respeita verdades, escreveu a respeito da inauguração da nova Feira de Damasco o seguinte: “Já que ganhar a guerra contra o terrorismo salafista […] é crucial, assegurando a paz que é básica e essencial à futura prosperidade do povo sírio. O Governo sírio, os estados seus parceiros e os negócios privados estão cuidando disto.”

Quem sabe um dia, observador que sou da situação na Síria, ainda irei matar a saudade e irei à Feira Internacional de Damasco – vale a pena !

José Farhat

08/09/2017

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Brilha quem tem luz

Osias Wurman, como jornalista, honra a profissão – digo-o tranquilamente, apesar de divergirmos consideravelmente; mas, como Cônsul Honorário de Israel no Rio de Janeiro, é certamente ele, o profissional jornalista, quem honra o país que representa, e não o contrário. Risca toda a consideração por ele ir por águas abaixo devido, por exemplo, o recente artigo publicado em O GLOBO, sob o título “O Brilho de Israel”. Nele Wurman aponta que “Um abismo separa a qualidade de vida e a contribuição para o bem da Humanidade, produzidas pelos israelenses, quando comparadas com todos os países limítrofes”.

É verdade que o abismo existe, principalmente para os palestinos que há quase 70 anos lutam para ficar ou para voltar para as terras onde moravam ou, para alguns, onde continuam apesar dos pesares.

Divergimos quanto ao bem que Israel faz à humanidade. Não somos daqueles que aprovam a partilha feita pela Assembleia Geral das Nações Unidas entre árabes e judeus, o que já é um crime: dividir uma terra que não pertence ao divisor, dando uma parte menor aos seus moradores seculares e dar outra parte maior a pessoas que vieram de longe. Se ao menos a AGNU tivesse consultado os ocupantes das terras, ou proposto recompensa por aquilo que deles tirava, ainda haveria algum tipo de fingimento de mérito. O que aconteceu, porém, e talvez Wurman considere o fato “contribuição para o bem da Humanidade” é que os sionistas acabaram ocupando, além dos 55% que lhes tinha sido presenteado, grande parte das terras daqueles que tinham perto de 100% da área territorial. A quase totalidade que os palestinos tinham está hoje reduzida a menos de 22% de terras que por sua vez está militarmente ocupada e seus habitantes não têm dentro delas sequer liberdade de locomoção ou de uso.

Cada povo tem seus sonhos e ninguém tem o direito de realizar o seu próprio sonho à custa do sonho dos outros e é o caso dos palestinos. Realizar “um sonho de uma noite de verão” ou um sonho mais longo, até mesmo milenar, com base em mentiras forjadas, como é a Declaração Balfour que não passa, na realidade, de um governo dar a terceiros o que não lhe pertence; como foi também o Plano de Partilha da ONU para a Palestina (1947), documento feito às pressas e sob pressão, com base no qual a AGNU também, repitamos, presenteou um sonho atual e uma vida pacífica de um povo para que outros que “vieram do frio” dela tomassem posse. Isto é simplesmente um crime, uma safadeza.

Teodor Herzl não honrou a sua profissão de jornalista e, sabendo por relatos de gente sua, que a Palestina não era “uma terra sem povo para um povo sem terra” e sua lealdade para com o tal “sonho milenar” era tão frágil que também, entre outras possibilidades, indicou a Patagônia igualmente como possível terra a ser ocupada pelos sionistas, sem se dar ao trabalho de consultar os argentinos ou a Deus que falsamente ele dizia acreditar que havia presenteado a Palestina aos judeus. Isto me faz lembrar meu bisavô dizendo a um falso contador de casos: “Conta outra, Bachir”.

A Declaração da Independência do Estado de Israel foi indecorosa, tanto por não se saber de quem os sionistas se independiam, quanto a estabelecer um Estado em terra sobre a qual não tinham a necessária soberania. Criminoso também foi o ato, pois David Ben Gurion concomitantemente ordenou atacar os árabes palestinos onde quer que se encontrassem, em ambas as partes da partilha criminosa da Palestina. A força de baioneta prestou um serviço que Wurman talvez considere um belo serviço prestado à Humanidade.

Que não nos venham, mais uma vez bajulando o Brasil enaltecendo o papel de Oswaldo Aranha na “Partilha da Palestina”. Ainda há pessoas vivas que conhecem o assunto por dele terem participado e sabem que Aranha nada fez por convicção ou espírito de justiça ou por ordens do Governo brasileiro, e sim por instruções diretas do Departamento de Estado, dos Estados Unidos da América, a troco do apoio estadunidense futuro para que Aranha fosse o próximo presidente do Brasil.

Repugnamos todos os crimes nazistas contra os judeus e outros grupos vítimas do regime maldito de Adolf Hitler. Sem o regime nazista é duvidoso que os judeus bem situados nas sociedades europeias, ou mesmo das classes favorecidas ou perto dessas, deixassem sua vida bem estruturada na Europa e viessem para a Palestina. Eles até hoje não vieram e preferiram limpar a consciência doando dinheiro.

Sobre a saída de centenas de milhares de palestinos da Palestina, que Wurman não negue que conhece que o chamamento atribuído aos governantes árabes nunca existiu, está provado e ele sabe onde encontrar a comprovação. A escuta britânica das emissões de rádio o comprovam.

Convidamos Wurman a responder, e este é um desafio, o que aconteceu com a aldeia palestina de Tarbikha e de seus habitantes da família Farhat, um exemplo, isto sim daquilo que aconteceu com centenas de outras aldeias palestinas que transformariam o tal “chamamento dos governos árabes” se tivesse existido, em mera brincadeira infantil de “amarelinha”.

Há três famílias libanesas judias que nos contaram como foi a verdadeira saída deles do Líbano: eles simplesmente ficaram fascinados com as promessas dos emissários da Organização Sionista que vieram contar o que de bom os esperava em Israel, só que lá foram discriminados, saíram de lá, duas vieram para o Brasil e uma foi para os Estados Unidos. Não há dúvida que um regime como o de Saddam Hussein, por exemplo, tenha de fato perseguido os judeus, mas dizer que todos os judeus foram expulsos dos países árabes é meia verdade. Wurman pode ir visitar a Sinagoga de Beirute, recém-reformada, e lá encontrar judeus felizes por serem libaneses. A Sinagoga fica ao lado de uma Mesquita e de uma Igreja, sabia?

Israel sabe como alcançar a Paz com seus vizinhos, basta não torpedear as negociações no nascedouro.

Wurman sabe que o modernismo, a inovação, a tecnologia, às conquistas científicas de Israel e tudo o mais, é uma obrigação, tendo em vista que estão numa terra que nada lhes custou e recebem verbas e doações a fundo perdido que tudo isto permite e ainda sobra para comprar armamentos para ameaçar os seus vizinhos palestinos e os países limítrofes. Com terra abundante de graça e dinheiro farto dado até símios construiriam um país exemplar.

É desolador ouvir as dádivas e tecnologias que Israel distribui aos longínquos africanos e cabe perguntar por que não fazem o mesmo com os palestinos, a metros de distância, em vez de maltrata-los sem dó.

Em vez de contar os mortos israelenses, vamos fazer o mesmo com os palestinos e, também, contar seus mortos, seus banidos, seus filhos e netos que vivem há 70 anos à custa das Nações Unidas.

O brilho desta comparação mostrará quem tem e quem não tem luz para brilhar.

Jose Farhat

T20/05/2017

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“As forças armadas das Nações Unidas atacam Israel”

Mais ridículo e falacioso que o título deste comentário, de longe, é aquele do artigo de Giulio Meotti intitulado The UN declares War on Judeo-Christian Civilization (As Nações Unidas declaram Guerra contra a Civilização Judaico-Cristã).

Giulio Meotti é jornalista, com coluna permanente, no diário Il Foglio, de propriedade de Silvio Berlusconi, o que já não o recomenda muito, e seus artigos aparecem também com frequência no jornal israelense Yedioth Ahronoth, um jornal diário israelense de grande circulação, desde a década de 1970, dono da maior tiragem em Israel, o que não é difícil de acontecer para um sionista italiano que às vezes tem publicado alguns artigos no Wall Street Journal, enxertados por recomendações de investidores na Bolsa de Nova York. Meotti se diz expert em antissemitismo, Israel, Islã, multiculturalismo e Oriente Médio, o que seria possível, se seus artigos fossem racionais e não falseassem a verdade.

O artigo que comentamos aqui foi publicado recentemente, dias após a aprovação da Resolução 2334 das Nações Unidas criticando e demandando que Israel cumpra com a Lei Internacional e deixe de construir assentamentos permanentes em terra que não lhe pertence.

Comecemos por alguns pontos arrolados por Meotti para afirmar que “As Nações Unidas declararam guerra contra a civilização judaico-cristã” o que é uma tremenda falácia com intuito de pintar um quadro fantasioso sobre um fato de importância maior que a Resolução da Assembleia Geral de 1948, que os sionistas usaram para criar um Estado e continuam usando para justificar um crime contra os palestinos.

O articulista começa indagando como é que a jurisprudência Ocidental não evitou que não fossem mais cometidos crimes contra a humanidade e está sendo usada para perpetuar mais crimes contra a democracia. Ora, jurisprudência é aquilo que serve como modelo ou exemplo para agir e, já que estamos falando em Nações Unidas, ele deveria antes de cobrar do vagamente por ele intitulado “Ocidente” se Israel, que não cumpre Resoluções dos diversos órgãos da ONU desde a sua fundação, tem moral para cobrar ações a quem quer que seja.

Ainda a esta altura, quem cobra cumprimento de leis contra a humanidade jamais deveria violá-las e não há um chefe de governo israelense, desde quando organizaram o seu Estado, e até hoje, na era Netanyahu à frente, que não seja culpado de transgressão da Lei Internacional e estes deveriam ser encaminhados aos tribunais internacionais.

Mas, quando o colunista fala em democracia, ao escrever sobre o estado de Israel, ele deveria, no mínimo, lembrar que o sistema político israelense não está comprometido com igualdade democrática, com a distribuição equitativa de poder entre todos os seus cidadãos, ou seja, entre os árabes que consideram israelenses – cristãos e muçulmanos – e os judeus cujos avós nunca tinham pisado na Palestina e muitos deles achavam que a Palestina era uma terra sem povo, sem história e tradição. Depois, ocupar a terra dos outros e não cumprir as leis internacionais e falar de democracia e crimes contra a humanidade é simplesmente risível.

Os palestinos, os países que votaram por unanimidade contra o comportamento criminoso contínuo de Israel, ao usar a terra alheia em benefício próprio, inclusive os Estados Unidos, que pareciam não aguentar mais ficar apoiando as mazelas de Israel e se abstiveram de votar, não estão terrivelmente manipulando fatos reais para “apagar toda a história judaica cristã”, pois quem isto faz são os sionistas que cometem transgressões contra o povo palestino, dono da terra, e depois expõem atitudes velhacas ofensivas à inteligência judaico-cristã-islâmica, a começar por seu chefe de governo dizendo que não vai submeter-se à Resolução das Nações Unidas, como se algum dia o tivessem feito, desde quando impuseram sua existência ilegal ao planeta Terra, principalmente aos palestinos, muçulmanos ou cristãos.

Será que temos que lembrar a Meotti que ninguém no Islã considera o mundo “originalmente e eternamente islâmico” como ele afirma? O mundo, na realidade, também não foi jamais judeu ou cristão ou muçulmano e é exatamente a diversidade o que a humanidade sempre procurou, pois só ela é garantia da salvação, principalmente para quem como ele parece achar que ela vale somente para judeus e cristãos e não vale para os muçulmanos ou até mesmo para ateus e seguidores das centenas de religiões que este mundo tem.

A referência a “macacões laranja, decapitações e escravidão” usadas pelo jornalista são menções ao Estado Islâmico, que de estado e de islâmico nada tem; não passa de um ajuntamento de fanáticos à busca de poder e o Islã está longe desta organização, pois esta interpreta mal todos os fundamentos da religião do Corão. Para todo o mundo, sem exceção, a EI é uma organização criminosa, fundamentalista, que merece o mesmo castigo que merece Israel pelo uso que quer fazer da religião de Moisés, para praticar crimes capitulados nos Dez Mandamentos e usar um Acordo com Deus, que foi quebrado, como uma das bases da criação de um estado que peca pelo seu comportamento contra o povo palestino e não respeita nem mesmo os seus aliados.

O Estado Islâmico e o Estado que se quer Judaico, para quem pensa com isenção, têm o mesmo propósito e querem chegar a seus objetivos independentemente de considerações humanas, morais, legais e principalmente religiosas.

Não merece consideração a frase do articulista que diz “Se é possível apagar e reescrever a história, também é possível redirecionar o futuro”, por se prestar à exploração do lado cômico, se é que esta existe, quando o assunto em pauta é sério por tratar-se de crimes contra a humanidade cometidos por Israel e individualmente por seus governantes. O que vale para o Estado Judeu vale também para o Estado Islâmico.

É verdade – pelo menos uma verdade foi escrita pelo empregado do Berlusconi – quando cita a Relatora Especial de Direitos da Mulher das Nações Unidas, Dubravka Simonovic, quando destaca que “quando palestinos espancam suas esposas a culpa é de Israel”. Só que o jornalista não foi honesto e respeitador dos direitos de autor quando retirou uma frase de um contexto. Esta citação é meia frase de um relatório substancioso, usada para dizer que os palestinos espancam suas esposas como se só os palestinos o fizessem e os italianos e os sionistas não. Simonovic, poucas linhas após a citação acima, disse também em suas conclusões que o fator contribuinte para este fenômeno “é o contexto da prolongada ocupação” e disse mais, quando se referiu aos palestinos que vivem em Gaza, sublinhando que a primeira causa do tratamento dado pelos maridos às suas mulheres em território cercado “é devida à pressão constante causada pelo bloqueio”. É claro que nem Giulio Meotti e nem a imprensa israelense fizeram qualquer menção a estas frases que representam a conclusão do relatório de Dubravka Simonovic.

Meotti obviamente não leu o Relatório de Simonovic, como também não leu um artigo do Haaretz, de 27/02/2013, onde o jornal israelense publicou a manchete: Israel admits Ethiopian Women Were Given Birth Control Shots. (Israel admite [que] as mulheres etíopes receberam injeções para controle de natalidade.). As “mulheres etíopes” a que se refere o Haaretz são judias trazidas da Etiópia para Israel numa operação da qual os israelenses se orgulham.

Por trás do fato há a comprovação da discriminação racial em Israel, não somente contra árabes palestinos, mas também contra judeus que vieram dos países árabes. Note-se que se referem às “mulheres etíopes” algo que não dizem quando se trata de uma judia russa ou polonesa ou alemã; estas são judias sem menção do país de origem. Os etíopes que foram trazidos para a Palestina ilegalmente ocupada não ficam nas cidades israelenses, eles ficam confinados em aldeias escondidas para que os visitantes não notem e digam que há israelenses pretos. Que Meotti leia o artigo do Haaretz, reconheça a discriminação contra judias por serem pretas e não discrimine as mulheres judias, cristãs ou muçulmanas, brancas, negras ou amarelas, seja lá onde ele inclui as mulheres Árabes.

O “extermínio físico [de Israel]” não está no keffiyah que Peter Thomson, o presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas usava na reunião da ONU e sim nos crimes que Israel vem cometendo ao longo de decênios e perdendo o apoio que chegou a ter muitos anos atrás. Thomson, com seus muitos anos de Nações Unidas, tem assistido, e participado, das inúmeras condenações de Israel e das centenas de Resoluções de todos os órgãos das Nações Unidas contra Israel que nenhuma cumpre. Ele, também como representante permanente de Fiji na organização internacional, não esquece nunca e tal qual a totalidade de seus conterrâneos, lembra os ataques assassinos do quartel das forças das Nações Unidas, em Cana, na Galileia libanesa, criminosamente atacado por terra, mar e ar pelos israelenses, matando soldados fijianos, crianças, mulheres e idosos libaneses e palestinos indefesos. Por tudo isto, Thomson usa o símbolo da resistência palestina como protesto e demonstração de apoio às vítimas dos sionistas.

O chamado Ocidente – incluindo também os Estados Unidos – está farto dos crimes de Israel e de sua desobediência às Resoluções das Nações Unidas e sinceramente não demonstram qualquer apoio, parceria ou comunhão com o estado sionista. A última Resolução do Conselho de Segurança é prova disto.

Como sempre, todos aqueles que pretendem defender Israel fracassam ao atribuir ao povo palestino e seus defensores a culpa por consequências de problemas criados pelo próprio estado israelense. É o caso, por exemplo, da Resolução 2334 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, qualificada por Meotti como “o ápice de um ano vertiginosamente proveitoso para os antissemitas”, uma entre aquelas que “em novembro passado, comissões da Assembleia da ONU adotaram, em um único dia, dez resoluções contra Israel, a única sociedade aberta do Oriente Médio”.

É claro que não merecem resposta as falácias que se repete de que Israel “é a única democracia no Oriente Médio” ou “a única sociedade aberta do Oriente Médio”. Se o referido estado fosse uma democracia e uma sociedade aberta não cometeria os crimes que fazem com que órgãos das Nações Unidas adotem a Resolução 2334 sobre a ilegalidade dos assentamentos e mais 10 Resoluções sobre vários outros assuntos.

Entre as Resoluções recentes tomadas contra o comportamento não democrático de Israel está aquela que o condena por reprimir cidadãos sírios nas Colinas de Julan, como se não bastasse o que faz com as crianças palestinas em território ilegalmente ocupado ou os pescadores libaneses em águas territoriais do Líbano.

Israel condena a ONU por Resoluções, como se os criminosos não fossem: o próprio Estado de Israel, que comete crimes diários contra palestinos, sírios e libaneses, em suas respectivas terras ou águas ocupadas, apesar da lei internacional sobre ocupação e tratamento a cidadãos em territórios ocupados como resultado de guerra, violando sem cessar os direitos humanos.

Uma forma pueril e desrespeitosa israelense de procurar justificar seus crimes é alegar que enquanto Israel é condenado por meio de Resoluções das Nações Unidas por crimes cometidos, outras nações não são julgadas e mencionam nomes de países que se assemelham ao estado judeu em seu tratamento contra seus próprios povos ou vizinhos.

Meotti não receberia pelo artigo que escrevinhou caso mencionasse os efeitos do BDA (Boicote, Desinvestimento e Sanções), mas como a simples menção do Movimento já é uma propaganda, ele desviou e afirmou para atacar: “de acordo com os mentirosos das Nações Unidas, o país mais perverso do mundo é Israel. O Alto Comissário de Direitos Humanos, Zeid Ra’ad, do Escritório do Alto Comissariado para os Direitos Humanos da ONU, e o príncipe Zeid al Hussein da Jordânia já estão patrocinando uma ‘lista negra’ de empresas internacionais que têm laços com empresas israelenses na Judeia, Samaria, Jerusalém Oriental e nas Colinas de Golã para facilitar o boicote a Israel, na esperança evidente de exterminar economicamente a única democracia e nação pluralista da região: o estado judeu”.

Talvez ele não saiba, mas chegou tarde, pois até mesmo Benyamin Netanyahu vem se queixando e choramingando devido aos efeitos do BDS e muitas firmas internacionais estão, de fato, desistindo de investir em Israel.

Com muita raiva, ou fingimento para agradar o patrão, Meotti não deixou de atacar o Fundo das Nações Unidas para a Infância ao afirmar: A Representante Especial das Nações Unidas para Crianças e Conflitos Armados Leila Zerrougui da Argélia, sugeriu também incluir o Exército de Israel na ‘lista negra’ de países e grupos que causam corriqueiramente sofrimento às crianças”. Faltou revisão para a o artigo pois o Fundo é da Infância e nada tem com ‘Conflitos Armados’, mas que o Exército de Israel merece ser listado não há dúvida, pois país algum prende sem acusação crianças de até oito anos por tempo indeterminado como o faz Israel.

Não poderia faltar também a menção pelo articulista de outro organismo da ONU quando ridiculamente mencionou que “A Comissão das Nações Unidas para os Direitos das Mulheres condenou Israel como o único violador mundial dos direitos das mulheres”.

E ainda não poderia faltar a OMS e o jornalista do Il Foglio escreveu: “A Organização Mundial da Saúde das Nações Unidas também seleciona singularmente Israel como o único infrator do mundo da saúde”.

Mais uma queixa o jornalista não poderia deixar passar sem despertar o mundo para outra infração. Foi quando disse: “Em outubro passado a agência cultural da ONU, a UNESCO, declarou como num passe de mágica que locais bíblicos judaicos da antiguidade são na verdade ‘islâmicos’, muito embora o Islã sequer existisse historicamente até o Século VII, pois veio a ser estabelecido centenas de anos mais tarde – quis, com a cumplicidade pérfida do Ocidente, apagar as raízes judaico-cristãs de Jerusalém”. Isto não passa de uma mentira, pois a preocupação da UNESCO é que Israel, para apagar a memória de uma Jerusalém árabe, muçulmana e cristã, chama a atenção constantemente das autoridades israelenses para as obras que empreendem, cavando túneis por baixo das mesquitas e das igrejas, com a desculpa de facilitar o acesso ao Muro das Lamentações quando na verdade querem desfazer os monumentos muçulmanos e cristãos.

Queixa-se o editor cultural do diário Il Foglio, com uma asserção final, que “Israel continua a ser tratado como um pária por esses criminosos ideológicos e tangíveis [da ONU] e. mesmo depois disso tudo, em 1975 a ONU mostrou sua verdadeira face disseminando o libelo de sangue antissemita: sionismo é uma forma de racismo”.

Com tanto perigo à vista, Giulio Meotti deveria terminar seu artigo gritando para os quatros cantos do planeta: As forças armadas das Nações Unidas atacam Israel!

José Farhat, cientista político e arabista, é diretor de relações internacionais do Instituto da Cultura Árabe (ICArabe)

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Desmistificando o Islã – Fanatismo

            O Islã não é ocidental, mas não seria justo considerá-lo tão somente oriental. Estranho ao mundo genuinamente moderno, para quem o conhece, ele é sobremaneira adaptado às condições nas quais vivemos. O Ocidente na verdade jamais conheceu o Islã. Desde quando se percebeu que ele aparecera para o mundo aqueles mesmos que não se deram ao trabalho de conhecê-lo, não pararam de caluniá-lo e de desdenhá-lo, buscando razões para combatê-lo e dominá-lo. Como ocorreu com o Orientalismo em geral, o Islã foi reconcebido no Ocidente como queriam os estudiosos e não como ele é na realidade. As deformações dadas ao Islã foram grosseiras e, lamentavelmente, perduram. Muitos são no Ocidente, e entre nós no Brasil, que reduzem o Islã a poucas noções, entre as quais: fanatismo, fatalismo, poligamia.

Há certamente as exceções entre os mais cultos que têm ideias menos aberrantes sobre o Islã, mas continuam sendo raros aqueles que sabem que esta palavra significa simplesmente “submissão a Deus” e que Allah não é o deus dos muçulmanos quando, na realidade, Allah é a palavra árabe para o Deus de muçulmanos, cristãos e judeus. Para um cristão árabe, pertencente a qualquer igreja, oriental ou ocidental, é a Allah que no idioma árabe eles se referem a Deus em suas orações. No entanto, é assim que se criou uma distinção até com o nome de Deus, como se os muçulmanos tivessem um Deus que não aquele que eles têm em comum com os adeptos das demais religiões monoteístas.

            Procurando não fugir do que se pretende aqui, que é explanar alguns poucos pontos deturpados ou incompreendidos sobre o Islã, quer no Ocidente em geral, quer no Brasil também, que passamos esclarecer certas dúvidas.

            A acusação de fanatismo, animação por zelo cego e intransigente pelos muçulmanos em relação a sua religião compreende principalmente a afirmação de que o Islã é a “religião da espada” e do “jihad”.

            A noção do Islã se expandindo pela espada perdeu sua força e foi abandonada desde quando estudos críticos das fontes de informações mostrou que os muçulmanos vencedores não deixaram aos derrotados idólatras a alternativa de aceitar a sua fé ou serem exterminados, mas deve ser sublinhado que esta regra não se aplica e nunca existiu como regra, segundo manda o Corão. Vale lembrar que os Povos do Livro, os judeus e os cristãos, quando a Península Ibérica foi ocupada pelos muçulmanos, eles foram tratados da “melhor maneira”, como manda o Corão, contrariando o tratamento que os Cristãos deram aos muçulmanos e judeus, quando reocuparam a Andalus (como era e ainda é conhecida a Ibéria pelos árabes), aos não cristãos foram dadas escolhas cruéis: a conversão ao cristianismo, serem queimados nas fogueiras ou prazo curto para que deixassem a terra reconquistada.

O jihad é erroneamente interpretado como “guerra santa”, o que não corresponde à realidade quando se sabe que o termo significa para o muçulmano simplesmente sua luta menor (a guerra) ou sua luta maior (o domínio de si mesmo). Estes são os reais significados do jihad. Aos detratores do Islã só lhes restou, por ignorância ou maldade, diante do milagre de que em apenas um século a nova religião estendeu o seu domínio, da China ao Sul da França, atribuir ao jihad outro sentido contrário também à verdade histórica.

            Se jihad não é “guerra santa” o que então vem a ser? Jihad (do árabe: esforço) também se costuma enunciar como “jihad fi sabil Illah” (esforço pelo caminho de Deus) e literalmente significa esforço ou luta, em várias formas – interna e externa – e graus, sendo a de guerra a mais extrema. Em sua forma interior, jihad é a luta do muçulmano consigo mesmo praticando a disciplina moral e prometendo continuar no compromisso com o Islã. Já o jihad externo é aquele que tem interessado à crônica. O termo jihad tem sido usado com maior frequência para falar de luta armada dos muçulmanos contra os infiéis, em suas missões para fazer expandir o Islã ou para reagir a um perigo contra a Religião.  Há várias menções ao jihad no Corão tais como: “E, quando os meses sagrados passarem, matai os idólatras, onde quer que os encontreis, e apanhai-os e sediai-os, e ficai a sua espreita, onde quer que estejam. Então, se se voltam arrependidos e cumpram a oração e concedem az-zakkah, deixai-lhes livre o caminho. Por certo, Deus é Perdoador, Misericordiador” (Corão 9:5). Note-se que infiéis para o Islã são os idólatras e não os cristãos e os judeus, portadores dos Livros, que devem ser tratados “da melhor forma” conforme determina o Corão e não como se costuma erroneamente acreditar no Ocidente ou ainda pelos muçulmanos que renegaram a Religião e se desviaram do caminho correto, como é o caso dos seguidores do Estado Islâmico.

            A verdade é que sempre que obstáculos ou restrições são postas à liberdade de adorar a Deus, a exemplo de ataques à pessoa muçulmana ou à Umma – a coletividade de muçulmanos – no passado e na atualidade, é considerado dever do crente a luta – o jihad para e até o restabelecimento pleno da condição anterior. Pouco se dá conta, fora do Islã, no Ocidente, que esta é uma forma de jihad, de um esforço coletivo. No entanto, aqueles que interpretam mal a Charia – muçulmanos que a praticam de forma pecadora, como é o caso do Estado Islâmico – e aqueles de fora do Islã que não cansam de interpretar mal os seus mandamentos, só deveriam contar com aquilo que está no Corão e no Hadith e não com ideias e ações infundadas.

            É com este espírito de luta pela liberdade que as potencias coloniais, através do mundo, encontraram o verdadeiro sentido do jihad, como reação a dominações e ocupações estrangeiras. Vale a pena salientar que é por isto que a França, por exemplo, nunca entendeu a reação argelina à ocupação que durou decênios já que a Argélia praticava o jihad, enquanto a França procurava dominar os argelinos e suas terras. É também o jihad o que praticam os muçulmanos residentes na França contra a discriminação a que estão sujeitos.

          Aos judeus e cristãos, entre outros versículos do Corão, e são muitos, há aquele que diz: “E, com efeito, concedemos a Moisés o Livro, e fizemos seguir, depois dele, os Mensageiros. E concedemos a Jesus, Filho de Maria, as evidências e amparamo-lo com o Espírito Santo” (Corão: II:87). Há também um versículo assaz claro na ausência de fanatismo e na prática do jihad como o entendem aqueles que não conhecem o Islã e suas regras que reza: “E não discutais com os seguidores do Livro senão da melhor maneira – exceto os que entre eles, são injustos – e dizei: ‘Cremos no que foi descido para nós e no que fora descido para vós; e nosso Deus e vosso Deus é Um só. E para Ele somos submissos” Corão: XXIX:46. Só aqueles que de propósito ou com um objetivo escuso, podem ver fanatismo religioso em outras palavras do Livro do Islã a respeito de judeus e cristãos e os versículos são a prova quando se lê: “E, por certo, há, dentre os seguidores do Livro, os que creem em Deus, e no que fora descido para eles, sendo humildes para com Deus, não vendendo os sinais de Deus por ínfimo preço. Esses terão seu prêmio junto ao Senhor. Por certo, Deus é Destro no ajuste de contas” (Corão III:199).

            Encerremos a discussão em torno do fanatismo e do jihad com uma citação corânica que diz: “E quem luta [pela causa de Deus] apenas luta em benefício de si mesmo. Por certo, Deus é Bastante a Si mesmo prescindindo de toda a humanidade” (Corão: XXIX:6).

            O que acabamos de ver pode ser considerado como fanatismo do qual o Islã é acusado inapropriada e injustamente, pelo tratamento que obriga o muçulmano a dar aos judeus e cristãos. Ninguém está autorizado a agir de outra forma, a menos que prefira o pecado da desobediência às regras determinadas pelo Corão que é a base principal da Charia, a Lei Canônica islâmica que rege a vida religiosa, política, social e individual de toda a Umma.

José Farhat é cientista político e arabista.

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Quando surgiu o terrorismo?

Até em blog no Estadão surgiu a pergunta: “Porque não havia terrorismo associado ao Islamismo, antes dos anos 1980”. Respondi há mais de um ano e até hoje minha resposta não foi publicada. Talvez eu não tenha visto a resposta ou não responderam mesmo, mas pouco importa. O artigo do Estadão ia além ao dizer: “Uma pergunta que poucos fazem é sobre quais seriam os motivos de quase todas as organizações terroristas dizendo agir em nome dos muçulmanos terem sido formadas nos últimos 30 anos. Mais interessante, por que algumas das mais radicais, como Boko Haram e o Estado Islâmico (considerado extremista até pela Al Qaeda), foram fundadas apenas neste século?

De fato, em minha opinião, poucos fazem esta pergunta e, então, vamos raciocinar a respeito.

O Hizbullah é chamado pelos inimigos do Líbano como uma organização xiita terrorista, fundamentalista retrógrada cujo líder é um “rato que vive escondido no esgoto”. A realidade, no entanto, é outra e não agrada aos sionistas, pois o líder do Hizbullah não é bobo para se exibir ‘a descoberto’ ao público a toda hora.

A adjetivação do “Partido de Deus” declarada por seus inimigos está certa ou ele é, pura e simplesmente, um partido nacionalista, criado no Sul do Líbano ocupado por Israel, para defender o Líbano e também outros países árabes da ocupação estrangeira que tem em suas fileiras seguidores de todos os credos reconhecidos no País dos Cedros? O correto é óbvio e só não o vê quem prefere a noite escura aos raios solares?

Já o Hamas, para seus inimigos, não passa de uma organização terrorista que ataca pacíficos cidadãos civis israelenses que vivem calmamente adorando a D’us em suas casas. A realidade é que se trata de uma organização que existe para defender a sua pátria, cercada por terra, mar e ar, contra intrusos que ocupam as terras onde viviam. As militares que ocupam Gaza e toda a Palestina têm uma força militar milhares de vezes maiores que a do Hamas e assim mesmo querem passar ao mundo a ideia de que os palestinos são os agressores.

Outra indagação seria: quem é mais fundamentalista religioso, o Hamas ou o Yisrael Beitenu e quem dentre os membros dos dois partidos tem mais ligação com a terra palestina, Mughnieh que nela nasceu ou Liberman que nasceu numa das repúblicas da então União Soviética? Que dizer de Gopstein, do Lehava, agremiação conhecida por sua apologia ao ódio e à violência contra os palestinos e dos africanos que pretendem se naturalizar?

Num post anterior, alguém transcreveu um longo trecho do que disse ser o programa do Hamas – e talvez o seja mesmo, pois é só o que resta ao partido palestino quando se vê em face do livro Torat Ha’ Melekh de autoria de diversos rabinos onde está escrito que “se há uma razão de crer que filhos de gentis possam um dia nos prejudicar, é deliberadamente permitido matá-los”.

Isto demonstra, e ficou omitido no citado post, talvez de propósito, a influência negativa que trouxe para os árabes, independentemente de religião, a instalação em suas terras de um organismo político-religioso que em nada se assemelha a eles e que tem em seus partidos de direita, que são atualmente maioria, uma pretensão clara e cristalina de que os árabes devem morrer.

É pura coincidência que os movimentos que provêm de regiões de maioria islâmica e consequentemente têm conotação próxima da religião, mas não tão próxima desta quanto do nacionalismo sejam confundidos com o Islã o qual, diga-se de passagem, prega o contrário do que os movimentos ditos islâmicos pretendem enfiar goela abaixo dos nacionalistas que os cercam.

A incoerência dos sionistas e seus apoiadores, assim como de certos regimes de países de maioria árabe e ou muçulmana e de potências locais, como Turquia, ou potências estrangeiras como Estados Unidos, Reino Unido e França entre outras é evidente: declaram combater o Estado Islâmico, mas fornecem a estes inimigos do Islã condições para que atuem criminosamente contra a segurança dos povos da região, os únicos prejudicados e maiores merecedores da paz que os habilitará para enterrar seus mortos, cuidar de seus feridos, reconstruir a suas terras arrasadas e voltarem a usufruir da liberdade que lhes foi tomada, desde o Iêmen, a Palestina, a Síria, o Iraque e além.

Isto dito, está claro que o ‘terrorismo islâmico’ foi promovido como tal quando o conceito de “umma” e “nação” não atendia mais, por ineficácia, à política externa de Tel Aviv, Washington, Paris e outras, e encontraram na religião um novo modo de tentar dominar árabes e muçulmanos.

Este novo recurso está fadado ao fracasso como o foi o mesmíssimo tentado pelo regime fundamentalista do Império Otomano.

José Farhat

30/10/2016

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