Paz versus Agressividade

O novo Embaixador de Israel no Brasil opina, em O GLOBO, que o ”Brasil precisa ser neutro para contribuir à paz”. É difícil entender o que pretendeu dizer Yossi Shelley, tendo em vista que por definição “neutra” é a nação cujo território os países beligerantes se comprometem a respeitar e o Brasil não é beligerante e nem tampouco desrespeita território de país algum, membro ou não das Nações Unidas.
É difícil fazer um israelense ser preciso naquilo que pretende afirmar, pois geralmente fogem do assunto ou, o que é pior, se distanciam da verdade e da realidade. Os exemplos são muitos.
Ninguém duvida da intenção do recém-chegado diplomata; ele quer dizer, com toda certeza, que o Brasil será neutro e contribuirá para a paz se apoiar Israel. Não há qualquer dúvida a este respeito.
Tomemos um exemplo recente: o Brasil votou na Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) contra o exercício de uma soberania ilegal pretendida por Israel sobre Jerusalém. Para Israel, nas entrelinhas da fala do Embaixador, o Brasil não foi neutro, pois para sê-lo deveria votar contra a Resolução e apoiar a absurda “soberania” conquistada pela força em contradição com a decisão da Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU) que votou pela neutralidade de Jerusalém, na mesma votação da partilha da Palestina.
A este respeito ainda, o Estado que ocupa a Palestina não só desconheceu como rasgou as Convenções de Genebra, que lembramos ao senhor Shelley, e lembrar é preciso, já que afirma ter vindo do setor empresarial e por esta razão talvez não saiba que estas Convenções são uma série de tratados internacionais concluídos entre 1864 e 1949 (mais dois aprovados em 1977) com o propósito de melhorar os efeitos de guerra sobre soldados e civis. E, já que o Embaixador garantiu que não existem assentamentos na Cisjordânia, mas uma situação de guerra, ele e o seu governo deveriam respeitar as Convenções de Genebra que se aplicam à Cisjordânia e muito mais a Jerusalém. Só que lamentavelmente Israel não tem por costume respeitar os direitos alheios e obviamente o dos árabes palestinos.
Ignorando as Convenções, se pouco mais pressionado, o Embaixador não deixaria de dizer que Israel foi estabelecido e declarou sua independência devido a uma resolução da AGNU, mas negaria o que diz o mesmo documento a respeito da neutralidade da cidade sagrada de Jerusalém para as três religiões abraâmicas e o fato de a dita Resolução também ter dado parte da Palestina aos árabes. O território que a AGNU deu aos árabes é hoje território ocupado militarmente por Israel, caindo por terra, por todas estas razões, que não se trata de “terra em disputa”, como quer o empresário.
Sabemos que a “neutralidade” que Israel pede do Brasil não é por ele aplicado quando impõe à Palestina, inteira ou partilhada, uma ocupação agressiva, ilegal, militar, ao estilo nazista, conforme vimos acima, e atesta, entre muitos outros fatos condenáveis, a prisão de crianças de até oito anos e milhares sem culpa formada.
Israel não entende de neutralidade e sim de agressividade desde antes, durante e depois do estabelecimento do Estado que pretendem estender desde o Nilo até o Eufrates. Israel pode negar, como sempre o faz, mas sua bandeira testemunha isto: uma estrela de David entre aqueles dois rios. Pergunte-se ao novo Embaixador, ele provavelmente negará.
Como quer Shelley que os árabes da Palestina “se constr[uam] sozinhos” se estão sob ocupação militar. Ghazza cercada por terra, mar e ar está impossibilitada até mesmo de receber ajuda humanitária. Que o Embaixador faça uma revisão do histórico das tentativas de barcos pacíficos levando remédios e alimentos para Ghazza, onde será que estaria ele quando ocorreram tais acontecimentos que causaram a morte de nove cidadãos pacíficos desarmados por soldados israelenses armados e agressivos?
Quanto à Cisjordânia que se encontra fatiada de tal forma que as crianças que vão às escolas e os adultos que vão trabalhar suas terras perdem horas para chegar a seus destinos e outro tanto tempo para voltarem a suas casas todos os dias que o sol nasce e se põe? Lembremos a Shelley que a Margem Direita do rio Jordão é a Cisjordânia que a AGNU destinou aos árabes e que os sionistas ocupam militarmente, assim como o Julan ou Golan (também chamado pelos árabes de Jabal al-Druz). Deve ser doce a água conquistada dos vizinhos por agressão de forças armadas. Os sionistas são, de fato, pessoas ruins que só entendem de força e por esta razão provaram o sabor da derrota nas mãos do Hizbullah que os expulsou das terras libanesas que ocupavam. Que não venha o Embaixador citando a “bondade” israelense ao desocupar Ghazza e ele deve saber as razões pelas quais Ariel Sharon, o Carniceiro de Beirute, desocupou aquela terra e transformou-a em situação pior que a ocupação através do cerco.
Parece que o Embaixador nos julga como cantava Adoniran, que “semo tatu” e vamos acreditar em tudo o que “Arnesto” diz? Sabemos, isto sim, que os árabes vão às Nações Unidas e voltam com Resoluções mostrando que é Israel e os israelenses, salvo exceções, que não “sabem tratar de direitos humanos” e as provas são que das sedes da ONU os árabes sempre saem com condenações a Israel, Resoluções que Israel, nunca cumpre. No Conselho de Segurança, Israel raramente é condenado, pois conta com o veto estadunidense e nos raros casos de condenação também não cumprem, é um Estado fora da Lei e dos Direitos Humanos.
O Embaixador dizer que não existem assentamentos na Palestina, chega a ser risível. Que nos diga onde mora o Embaixador que queriam nos impor e o Brasil o recusou por ser considerado um fora da Lei que habita uma casa construída em terra que não lhe pertence e que por ela nada paga. Aqui no Brasil, se alguém se apodera de terreno alheio e nele constrói uma casa, ele será julgado e condenado e esta deveria ser a Lei também em Israel, mas o Estado Hebreu é composto, salvo exceções, somente por “pessoas ruins” e que não têm respeito pelo direito dos outros. Ao Embaixador certamente falta uma escola de diplomacia e direito internacional para saber que a legislação internacional não estipula que territórios dominados por forças armadas estrangeiras são simplesmente territórios ocupados e não territórios em disputa. Este é mais um tipo de falácia que Israel usa para justificar suas agressões aos direitos humanos e a ocupação de terras que não lhe pertence, entre outros crimes.
Negócios com Israel o povo brasileiro está consciente das circunstâncias de sua produção e somos um povo que não quer partilhar de um processo que fere aos Direitos Humanos. Somos, por exemplo, contra a venda de cítricos plantados por palestinos, nas cercanias de Haifa, há dois ou mais séculos, sequestrados pelo Governo israelense que querem vendê-los ao exterior como “Made in Israel”; ninguém mais aceita este tipo de roubo do bem alheio cujo resultado serve, entre outros fins, para a construção de moradias em terras ocupadas da Cisjordânia.
Finalmente, devemos afirmar que a Casa de Rio Branco não precisa de ensinamentos de um país que não cumpre com o Direito Internacional e, sobretudo com os Direitos Humanos.
Os árabes, cristãos ou muçulmanos, e os judeus brasileiros são exemplos para Israel se comportar em favor da Paz interna e externamente e falta muito para aprenderam as lições de convivência que nos une aqui no Brasil.
Queremos Paz, não Agressividade.
José Farhat
17/05/2017

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Ascenção e Queda de um Califado

O Daesh (acrônimo árabe para: Dawlat Islamiya fil-Iraq wa Asham, em português: Estado Islâmico no Iraque e na Síria), contraria e desafia, na História recente, os preceitos religiosos do Islã consubstanciados particularmente pelo Corão e pelo Hadith. O Daesh é responsável pelas piores atrocidades perpetradas contra civis, indiferentemente de credo, até mesmo e em alguns casos inclusive contra muçulmanos.
Raqqa, a capital de fato do Daesh caiu nas mãos dos membros do Movimento Democrático Sírio, uma organização terrorista apoiada e financiada pelos Estados Unidos que fornecem substanciosa ajuda financeira, armas, munições e consultoria militar em terra. O candidato a combatente nesta organização é incentivado a participar de suas fileiras pelo lucro monetário e, pasmem, por uma menção de que razzia e assédio sexual são tolerados.
Com a ocupação da sede capital do Daesh, a organização criminosa parece se aproximar do esgotamento total, mas o governo legal da Síria e seus aliados sabem e pactuam suas atividades cientes de que não basta cortar o rabo de um ofídio venenoso, sua cabeça tem que ser esmagada e seu ninho destruído e, por esta razão, continuarão perseguindo os mercenários, até que voltem a suas origens.
O completo domínio de Raqqa – cujos habitantes foram condenados a viver sob o comando dos negacionistas do Islã, durante mais de três longos anos – estão lutando agora para conservar sob seu poder bolsos de território no Iraque e na Síria, apesar de estarem cercados por todos os lados. É consenso quase total, em todo o mundo, menos obviamente na Casa Branca, que o colapso do Daesh, nos dois países, não deve demorar. Os Estados Unidos terão mais uma derrota a ser lembrada.
Revendo fontes bastante confiáveis e presentes na região, pintamos a seguir um quadro da ascensão e queda do Daesh e o que é dado esperar para o futuro.
A origem do Daesh é a rapa-do-tacho que sobrou da al-Qaeda no Iraque. Foi do país mesopotâmico que esses derrotados se espalharam através do Oriente Médio, a partir de 2014. Ocuparam a cidade de Fallujah e partes da província de Ramadi, no Iraque e, na Síria, assumiram o controle e ocuparam a cidade de Raqqah, expulsando facções rebeldes contrárias ao governo sírio. Até aqui só encontramos três organizações terroristas lutando entre elas pela posse de regiões sírias e a vítima é tão somente o povo da Síria.
Em junho de 2014, o Daesh ocupou Mussul, a segunda maior cidade do Iraque, de onde seu líder, Abu-Bakr al-Baghadi, declarou a fundação um “califado” instalado à sua imagem. Este fato abalou toda a região com a força de um tremor de terra e temporariamente redesenhou as fronteiras.
Abu-Bakr al-Baghdadi e seus asseclas prometeram justiça, igualdade e uma utopia religiosa islâmica e o que vimos foi reinar o terror nas regiões sob seu domínio. Um exemplo é que o Daesh sistematicamente degolou membros da pequeníssima comunidade Yazidi e sequestrou mulheres e meninas tornando-as escravas de sexo. Jornalistas oriundos de fora da região foram degolados e sítios arqueológicos e culturais foram destruídos, como foi o caso de Palmira.
Além da contratação de mercenários orientais, o Daesh exerceu uma influência sobre os jovens estrangeiros alienados, de todos os horizontes, principalmente da Europa, que atenderam a seu chamado e que penetraram em suas fileiras.
Este recrutamento, no entanto, traria em seu bojo um erro, talvez o maior, do Daesh. O Islã apregoado, que se dizia sunita, não agradou às correntes atuais dos próprios sunitas instruídos ou com poder de mando ou liderança na sociedade. Isto porque a interpretação do Islã proclamado pelo Daesh era rude demais e, ao se espalhar em áreas de maioria sunita, além do Iraque e da Síria, multiplicou a sua desaprovação.
A criação de um “califado”, com determinação de suas fronteiras, Iraque e Síria, facilitou bastante a definição da área a ser combatida. Uma coalizão internacional contra o Daesh logo foi criada, até mesmo entre outros fundamentalistas ou de outras organizações terroristas, o que acabava por enfraquecer a frente contra a Síria legal.
Não resta muito do Daesh. O governo dos Estados Unidos lançou sua campanha de ataques aéreos, no Iraque, em agosto de 2014 e logo o ampliou para a Síria. Os estadunidenses se aliaram a forças do governo iraquiano trabalhando em conjunto com milícias lideradas por xiitas assim como com os curdos iraquianos conhecidos como pershmerga. Na Síria eles também se aliaram com forças curdas locais e com a milícia terrorista Forças Democráticas Sírias.
Com o apoio estadunidense, com dezenas de milhares de ataques aéreos estas forças foram tomando do Daesh fortificação após outra, através do tempo, até culminar com o maior feito deles quando, em julho passado, ocuparam Mussol e sua região, considerada a capital administrativa do Daesh. Mussol era o de menos, pois o importante era sua riqueza em petróleo que era contrabandeado para países vizinhos, principalmente Israel, pra custear o grupo Daesh.
Na Síria foi diferente: os Estados Unidos e seus asseclas de um lado e de outro as forças do governo sírio, apoiados pela Rússia, estão atacando o Daesh em ofensivas simultâneas. Os terroristas já perderam Raqqa e a cidade de Mayadine, no coração da Síria, situada no vale do rio Eufrates, próximo à fronteira sírio-iraquiana foi ocupada pelas forças governamentais sírias. A importância desta vitória síria é grande, pois os falsos islâmicos pretendiam lá se concentrar e manter sua última fortaleza.
Lembremos que aqui também havia uma fonte de financiamento do Daesh e de corrupção: a vitória das forças governamentais sírias, apoiadas pelos ataques aéreos russos, a retomada de Deir-al-Zour e sua região, rica em petróleo acabou com o roubo de petróleo e seu contrabando.
O Daesh não ocupam mais qualquer cidade ou vila, no norte do Iraque, desde quando as forças iraquianas ocuparam Hawija. O exercito iraquiano está levando quem restou do Daesh para o deserto da província de Anbar, perto da fronteira da Síria, onde os inimigos não poderão contar com nenhuma ajuda externa. Esta operação é coordenada com as forças do governo sírio que está lançando uma ofensiva contra a cidade de Bukamal, nas proximidades da fronteira com o Iraque.
Quem está pagando o preço da derrota do Daesh não é a Casa Branca, é quanto a guerra vem custando, através dos anos, aos tesouros da Síria e do Iraque. Mais importante ainda foi o imenso sofrimento da população síria e iraquiana que foram obrigados a aguentar o jugo brutal da ocupação pelos militantes que se dizem islâmicos.
Cidades outrora ativas foram reduzidas a pó, tanto pelos ataques aéreos quanto pelas batalhas ocorridas muitas vezes de casa em casa. É o caso de Ramadi, Mussul e Raqqa onde as casas foram aniquiladas e para elas se chegar rodovias e pontes terão que ser reconstruídas.
Não é necessário ir lá onde o Daesh queria estabelecer seu “califado” para saber qual o número de mortes ocorridas nestes três anos, basta imaginar que foram dezenas de milhares de civis e militares. O próprio Daesh matou milhares de pessoas, deslocou milhões e encheram a cabeça das crianças com doutrina extremista. Eles precisam mais que nunca de escolas como eles e todos necessitam de hospitais.
O advento do grupo Daesh, as guerras que se seguiram, as alianças que foram necessárias para derrotá-lo prejudicaram tremendamente os relacionamentos políticos e sectários na Síria e no Iraque.
As preocupações com a movimentação dos curdos e seus anseios de independência ultrapassaram os governos do Iraque e da Síria e foram alcançar a Turquia e o Irã, também formados por minorias curdas. Note-se que foi sob a desculpa de combater o Daesh que os curdos iraquianos ocuparam a cidade de Kirkuk, rica em petróleo e só agora o governo iraquiano reverteu a situação e recuperou a região, quebrando, de certa forma a aspiração de independência curda em seu território.
Durante a guerra contra o Daesh, ocorreram tensões entre as etnias árabe e curda e entre xiitas e sunitas, as populações se movimentaram para outras terras e, sob este aspecto, o alcance de uma solução para os problemas poderá resultar em lutas pelo domínio dos espólios do Daesh.
O futuro é certamente incerto e as soluções para os problemas complexos e necessitam de muita sabedoria e amor à Paz.
José Farhat
03/12/2017

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As Guerras Árabe-Israelenses

Estas guerras foram muitas, com episódios de recrudescência animadas pela falta de uma solução aceita pelas partes. Entre as guerras nunca houve paz, e não foi por falta de tentativas de reconciliação. Nestes casos, o problema maior talvez não sejam as reivindicações de lado a lado e sim a falta de isenção dos proponentes.
Vamos às guerras.
Guerra Árabe-Israelense I (1948-1949):
14 de maio de 1948 a 7 de janeiro de 1949. É chamada Guerra da Palestina pelos árabes e Guerra da Independência pelos israelenses.
Contexto: Em novembro de 1947 os Árabes da Palestina rejeitaram o plano de partição das Nações Unidas, objeto da Resolução 181 da Assembleia Geral, que deu aos Judeus, proprietários de 6% da terra, 53,5% de toda a Palestina.
Naquela época a população Árabe contava aproximadamente 1.200.000 pessoas e os Judeus cerca de 650.000.
No início de 1948 os Britânicos avançaram sua data de partida para 15 de maio em vez da de 1 de outubro, especificada pela ONU.
No dia anterior, em 14 de maio, o Conselho Nacional Judeu, pela unanimidade de seus 13 membros, na véspera da saída dos Britânicos, declarou o estabelecimento de Israel.
A Liga dos Estados Árabe, sem demora, adotou a resolução de, através de seus membros: Egito, Iraque, Jordânia, Líbano e Síria, juntamente com os cobatentes Árabe Palestinos, atacar Israel. O Rei Abdallah ibn Hussein foi nomeado comandante geral dessas forças.
Forças opostas: Os 26.000 combatentes árabes compreendiam 7.000 egípcios; 4.000 iraquianos; 5.000 jordanianos; 2.000 libaneses; 4.000 combatentes irregulares palestinos; e, 4.000 sírios. Entre estes só a Legião Árabe da Jordânia, sob o comando do General britânico John Glubb poderia ser considerada de formação militar Professional. Os libaneses e os sírios eram considerados milícias territoriais. As forças egípcias e iraquianas eram pessimamente equipadas com armas ultrapassadas, de origem britânica. Ao final da primeira fase da guerra, em meados de junho, as tropas árabes já tinham crescido para 35.000.
A força israelense era composta por 30.000 combatentes altamente bem treinados, oriundos da Haganah (uma organização terrorista), dois terços dos quais veteranos da II Guerra Mundial, apoiados por 32.000 reservistas, mais 15.000 policiais dos assentamentos e 32.000 guardas imobiliários. Ao final da primeira fase da guerra, em meados de junho de 1948, a força combatente israelense havia dobrado para 60.000.
Eventos: O conflito armado começou em 14 de maio de 1948 e prosseguiu em quatro fases, durante 4 meses.
Na primeira fase, de 14 de maio a 11 de junho de 1948, as forças sírias e libanesas mais irregulares palestinos, conquistaram a maior parte central do norte da Galiléia. No setor central a Legião Árabe da Jordânia ocupou a quase totalidade do sul e do leste de Jerusalém, incluindo toda a Cidade Velha e a rodovia Jerusalém -Tel Aviv. No setor sul o exército egípcio ajudou os palestinos irregulares a ocuparem Gaza e depois Ashdod. Outra coluna egípcia tomou Birshaba e Hebron e estabeleceu contato com a Legião Árabe em Belém. A ONU impôs um cessar-fogo em 11 de junho.
Na segunda fase, de 9 a 18 de junho de 1948, no setor norte, os israelenses se espalharam em volta de Haifa. No centro capturaram Lida, Ramle e o aeroporto da vizinhança.O segundo cessar-fogo da ONU entrou em vigor em 18 de julho e durou até 15 de outubro, exceto na região sul. Ao final desta trégua as forças israelenses já contavam com 90.000 combatentes.
Na terceira fase, de 15 de outubro a 6 de novembro de 1948, os israelenses capturaram o vale de Hula e ocuparam uma faixa na fronteira com o Líbano. No centro, eles alargaram o eixo Tel Aviv – Jerusalém. Ao capturarem Birshaba dos egípcios, no sul, eles separaram as forças egípcias entre Hebron e Faluja e obrigaram os egípcios a evacuar Ashdod e Majdal consolidando assim suas posições da região de Gaza – Asluj. A trégua da ONU entrou em efeito, na fronte sul, em 6 de novembro e no norte e no centro, as tréguas só entraram em vigor em 30 de novembro.
Na quarta fase, de 21 de novembro de 1948 a 7 de janeiro de 1949, os egípcios inicialmente alargaram sua área em volta de Gaza e Asluj, mas logo em seguida a situação egípcia se deteriorou. A trégua final, na região sul, entre eles e os israelenses entrou em vigor em 7 de janeiro. Pouco antes, no dia 1 de dezembro de 1948, cerca de 2.000 delegados árabes palestinos, reunidos em Jericó, proclamaram Abdallah ibn Hussein “Rei de toda a Palestina”, o que significava a maior parte daquilo que fosse possível salvar da ocupação israelense.
Perdas Humanas: Árabes Palestinos: 16.000 mortos, incluindo as mortes entre janeiro e meados de maio de 1948 e 14.000 feridos. Outros árabes: 2.500 mortos. Judeus: 6.000 mortos.
Acordos de Armistício: Dando seguimento às negociações realizadas pelos participantes da guerra, realizadas na ilha grega de Rodes, Israel concluiu acordos de armistício com o Egito, em 24 de fevereiro de 1949, Líbano em 23 de março de 1949, Jordânia em 3 de abril de 1949, e Síria em 20 de julho de 1949. O Iraque, que não tinha fronteiras comuns com Israel, não assinou qualquer acordo cm Israel.
Estes acordos dividiram o território alocado pela Assembleia Geral da ONU,aos árabes na Palestina (medindo 27.026 km²) entre o Egito, Israel e Jordânia. O Egito reteve controle da faixa de Gaza (378 km²) como território de administração egípcia. Como Israel ganhou mais 5.750 km² acima dos 14.500 km² alocados pelo plano de partilha da AG da ONU, os israelenses simplesmente anexaram este território. Com isto, os judeus, que formavam pouco menos de um terço da população da Palestina, na véspera da guerra, ficaram com 75% da terra. Como o Rei Abdallah ganhou 5.949 km², ele simplesmente os anexou à Jordânia, sujeito a um arranjo final. Jerusalém, que tinha sido reservada para administração internacional, foi dividida e anexada por Israel e Jordânia; ficando o país árabe com 6,5 km². Quanto a Síria e Líbano, suas fronteiras internacionais ficaram sendo aquelas que o armistício determinou como fronteiras da Palestina.

Pesquisa feita por
José Farhat

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Aniversário de uma grande mentira

Aniversário, especifica mestre Antônio Houaiss (1915-1999) lexicógrafo, escritor, tradutor, diplomata, acadêmico, “diz-se de ou dia em que se completa um ou mais anos em que se deu determinado acontecimento” e tomamos a liberdade de acrescentar: quer seja o aniversário de uma verdade, de uma mentira ou de ambas.

Através do planeta estão sendo publicados artigos sobre a Guerra dos Seis Dias, que acaba de fazer o aniversário de 50 anos. A quase totalidade destes artigos dirá que Israel foi atacado por países árabes: Egito, Jordânia, Síria e Líbano. Ninguém, ou quase ninguém dirá a verdade, e o fato é que Israel preparou uma guerra e a executou a fim de ocupar a Faixa de Gaza, Jerusalém oriental e toda a Cisjordânia, além do Julan, também conhecido pelos árabes como Jabal al-Druz; (em árabe: Montanha dos Drusos) e as terras libanesas até o sul do Rio Litani.

Repete-se há cinquenta anos que estados árabes apoiados pelos demais que não participaram diretamente das batalhas, atacaram o estado de Israel, mas ninguém falará de um dia inteiro, entre esses seis dias, quando em 8 de junho de 1967, o Liberty, um navio da Marinha dos Estados Unidos, uma unidade de espionagem eletrônica embarcada, armada de apenas algumas poucas metralhadoras, estava na costa do Mediterrâneo oriental, em águas internacionais, e descobriu tudo o que Israel fez e o que aconteceu em terra.

O ataque foi executado por ordem direta e clara do general Moshe Dayan (1915–1981), em termos inequívocos: “afundar o Liberty e com ele toda a sua tripulação”. O soldado deixou para os políticos a solução dos problemas gerados. Estes indenizaram as famílias dos mortos e os sobreviventes e apresentaram desculpas pelo feito aos Estados Unidos. O que é prova de cinismo misturado com mentira.

A Secretaria de Estado dos Estados Unidos exigiu indenização pela perda do navio. No entanto, a explanação israelense foi aceita pelo governo dos Estados Unidos que considerou o incidente como ‘fogo amigo’ e o assunto foi arquivado após troca de notas diplomáticas em 1987. Só que David Dean Rusk (1909-1994), então Secretário de Estado dos Estados Unidos e o então ocupante do mais alto posto da Marinha, Almirante Thomas Moorer (1912-2004) à época Chefe das Operações Navais também recusou a versão dada pelo governo ao episódio. O Almirante Moorer se tornaria depois Presidente da Junta dos Chefes dos Estados Maiores estadunidenses e, menos de um mês antes de sua morte, 37 anos após o acontecimento, publicou uma declaração afirmando “não aceitar a desculpa de Israel”. Alguns sobreviventes do ataque e oficiais de inteligência familiares com as transcrições dos sinais interceptados naquele dia, rejeitaram estas conclusões por serem insatisfatórias e continuam mantendo opiniões de que o ataque foi feito com pleno conhecimento de que o navio era da Marinha dos Estados Unidos.

Algumas pessoas já escreveram a verdade. É o caso de alguns artigos que selecionamos – e às vezes resumimos – inclusive trechos principais foram publicados pela Global Research, do Canadá, constantes do artigo intitulado A Retrospective Account of Israeli Occupation – 50 Years and Counting, (O relatório retrospectivo da ocupação israelense – 50 anos e continua a contagem) além de outras fontes e relatos.

O artigo da Global apresenta a iniciativa assim:
“Em memória do ataque ao USS Liberty pela Força Aérea israelense, 50 anos atrás, introduzimos-lhes uma compilação de artigos cujos objetivos, de forma geral, é desmascarar a verdade sobre ‘o que realmente aconteceu em 1967’”.

É o caso também de Philip Giraldi (nascido em 1946), formado pelas universidades de Chicago e Londres, especialista em inteligência, antigo funcionário da United States Central Intelligence Agency (CIA) especialista em contra terrorismo e inteligência militar, colunista famoso e comentarista de televisão além de ser diretor executivo do Council for the National Interest, um grupo que advoga em favor de políticas mais imparciais pelo governo estadunidense no Oriente Médio.
O artigo de Giraldi não permite dúvidas, quando escreve:
“Em 8 de junho de 1967, o USS Liberty, um navio de inteligência eletrônica da Marinha dos Estados Unidos viajando a 24 km ao largo de Arish bem fora das águas territoriais egípcias, foi atacado por jatos e torpedeiros israelenses, quase afundando o navio, matando 34 marinheiros e ferindo 171. Israel disse que o ataque foi um caso de identidade errônea e que o navio tinha sido mal identificado como sendo o navio egípcio El Quseir. Israel pediu desculpas pelo erro, pagou compensação às vítimas ou suas famílias, e aos Estados Unidos pela avaria do navio. Após uma investigação, os EUA aceitaram a explanação de que o incidente tinha sido ‘fogo amigo’ e o caso foi encerrado pela troca de notas diplomáticas em 1987. Outros, no entanto, não a aceitaram, incluindo o então Secretário de Estado dos Estados Unidos, Dean Rusk, e o então Chefe das Operações Navais da Marinha dos Estados Unidos, Almirante Thomas Moorer alguns sobreviventes do ataque e oficiais de inteligência familiares com as transcrições dos sinais interceptados naquele dia, rejeitaram estas conclusões por serem insatisfatórias e continuam mantendo opiniões de que o ataque foi feito com pleno conhecimento de que o navio era da Marinha dos Estados Unidos”.

Giraldi não deixa por menos e conta a verdade maior que supera a grande mentira, quando escreve, sem rodeios, e a História o confirma:
“A parte mais repugnante do acontecimento relata como os aviões de guerra [estadunidenses] enviados de um porta-aviões presente no Mediterrâneo foram chamados de volta [para a sua nave mãe] pelo Secretário da Defesa, Robert McNamara, atuando por ordem do Presidente Lyndon Baines Johnson que declarou que ele preferia ‘ver o navio ir para o fundo do mar do que embaraçar Israel, o seu bom amigo’. Ironicamente, o primeiro navio a chegar até o Liberty e oferecer assistência foi um navio da União Soviética, uma oferta que foi recusada”.

Em obituário de 11 de março de 1999, escrito por Jon Thurber, redator do Los Angeles Times, sob o título Capt. William McGonagle; won Medal of Honor After Israeli Attacked Ship (Capitão William McGonagle; ganhou Medalha de Honra depois que Israel atacou navio), lemos:
“Quando o Capitão da Marinha William Lare McGonagle recebeu sua Medalha de Honra, ela não lhe foi entregue, como é de costume, pelo próprio Presidente dos Estados Unidos e na Casa Branca. McGonagle, que morreu em 1999 aos 73 anos, recebeu sua medalha em relativo esconderijo de uma unidade naval perto de Washington, pelo Secretário da Marinha. Apesar de todo o seu heroísmo McGonagle continuava sendo parte de um incidente que os governos dos Estados Unidos e de Israel preferem esquecer. Ele era Comandante do Liberty”.

Navio cargueiro ligeiramente armado, da era da II Guerra Mundial convertido para um navio de recursos técnicos, o Liberty estava em serviço no Mediterrâneo oriental dia 8 de junho de 1967, o 4º Dia do que passaria logo a seguir a ser chamada a Guerra dos Seis Dias entre Israel e seus vizinhos árabes, quando foi atacado por aviões israelenses e barcos torpedeiros. Apesar de ser tripulado por pessoal da Marinha dos Estados Unidos, o Liberty era um posto de escuta para a Agência Nacional de Segurança, o setor de inteligência responsável pela intercepção de comunicações e decodificação de mensagens. Embaixo do convés 100 membros da tripulação estavam usando equipamento sensível de rádio a fim de monitorar o tráfego na região.

Como o entardecer de 8 de junho se aproximava, os marinheiros de folga do Liberty usavam a ocasião para se bronzearem e acenarem para os aviões israelenses quando passavam sobre suas cabeças. Tripulantes relembram que alguns pilotos acenavam de volta.

Porém logo após as 14:00 horas, dois aviões Mirage israelenses voltaram e desta vez os pilotos abriram fogo no Liberty varrendo o navio com roquetes, fogo de metralhadoras e napalm. Os barcos armados de torpedos chegaram e assumiram o ataque, lançando torpedos, um dos quais abriu um buraco de 12 m no casco.

Dos 294 homens da tripulação, 34 morreram e 171 foram feridos.

McGonagle estava na ponte de comando quando o ataque começou. Ele foi severamente queimado quando um dos aviões arremessou napalm na ponte e seus pés ficaram tão danificados pelos estilhaços que um torniquete improvisado não conseguiu parar o fluxo.

O Liberty enviou sinais de SOS para a VIª Frota. O porta-aviões Saratoga finalmente respondeu, dando ciência do recebimento do pedido de ajuda. Doze aviões de ataque foram despachados para salvar o Liberty, mas estes aviões foram rapidamente chamados de volta por ordem de Washington.

Logo a seguir, o ataque cessou. Os torpedeiros de Israel ofereceram ajuda ao navio que há pouco tentaram afundar. A resposta estadunidense [do Liberty] foi no mínimo grosseira.

Durante todo o tempo McGonagle continuou a supervisionar o combate ao fogo e controlar as inundações do navio atingido.

A ajuda estadunidense demorou 17 horas para chegar.

Em meados da tarde do dia dos ataques, as autoridades israelenses informaram Washington do incidente ocorrido. No furor que se seguiu as autoridades israelenses expandiram suas explicações, dizendo que os pilotos de caça pensavam que o Liberty era um cargueiro egípcio.

O ataque foi seguido de um encobrimento que sem dúvida demonstrava que ao menos um Presidente dos Estados Unidos, ainda que tenha sido cinquenta anos atrás, valorizava o relacionamento com o Estado de Israel acima de sua lealdade para com seu próprio país.

A mentira teve perna curta, pois é sabido que os caças israelenses, quando sobrevoavam o Liberty, pela manhã, escondiam as identificações israelenses e voaram baixo sobre o navio estadunidense, mas quando, à tarde, atacaram o Liberty, retiraram o disfarce e mostravam claramente a Estrela de David identificadora. Os torpedeiros, quando assumiram o ataque, chegaram muito perto do alvo para não identificar um navio da Marinha estadunidense.
Phil (Philip) Restino, fundador da filial da Florida, EUA, do Veterans for Peace (Veteranos pela Paz) e co-apresentador do programa de televisão denominado We cannot be silent (Não podemos ficar calados), em seu artigo The USS Liberty: Israel’s unspoken Role. A Test for Americans (O USS Liberty: o papel silencioso de Israel, um teste para os estadunidenses), escreveu em 8 de junho de 2017. Após contar toda a história do ataque, Restino insiste e reporta:
“Aviões de salvamento foram enviad0s da vizinha VIIª Frota para ajudar o Presidente Lyndon B. Johnson. Nunca antes na história da Marinha dos Estados Unidos uma missão tinha sido chamada de volta enquanto um navio estava sob ataque.
A Casa Branca prosseguiu escondendo a verdade sobre o ataque contra o Liberty e, até hoje, a imprensa e nossos representantes estadunidenses e senadores que não deveriam fazê-lo continuam a esconder [os fatos]”.

Em outubro de 2003 um Comissão de Inquérito independente sobre o ataque ao Liberty, co-presidida pelo antigo Presidente da Junta dos Chefes de Estados Maiores das Forças Armadas, Almirante aposentado Thomas J. Moorer e pelo ex-comandante assistente da Marine Corps, emitiram a seguinte declaração:
”Israel cometeu ato de assassinato contra militares estadunidenses e ato de guerra contra os Estados Unidos”. “A liberdade não é livre. Ela é mais que enviar tropas estadunidenses de forma prejudicial. Ela requer cidadania participativa por parte do povo estadunidense aqui em casa, o que implica em responsabilizar os funcionários públicos que violaram a Constituição dos Estados Unidos e de igual forma quebrar a Lei. É quando nós, o povo, não condenamos aqueles que estão em nosso governo responsáveis por seus crimes que permitimos crimes similares ou piores contra o povo estadunidense para que assim continuem e já houve muitos depois do vergonhoso dia em Julho de 1967. Neste momento, a justiça para os homens do USS Liberty jápassou há muito tempo. Devemos isto a eles”.

Uma fonte farta e segura para este vergonhoso episódio para a Marinha estadunidense é o livro They Dare to Speak Out (Eles se atreveram a falar), de Paul Findley, um congressista do Estado de Illinois, durante 22 anos.

A página 121 do livro de Findley faz parte de um capítulo intitulado The Lobby and the Oval Office (O lobby e o Gabinete Oval) onde é demonstrada a influência que as organizações sionistas exercem sobre o Executivo estadunidense.

Escreve Findley:
“Israel estava em guerra e nesta ocasião o Presidente dos Estados Unidos não causaria problemas […]. A ajuda [em armas e todo tipo de material bélico] continuaria sem interrupção e os pedidos de sanções contra Israel nas Nações Unidas enfrentariam forte oposição dos Estados Unidos. Os Estados Unidos apoiavam ativamente os esforços militares de Israel. Os novos fortes laços com Israel levariam o presidente dos Estados Unidos a encobrir os fatos concernentes ao mais surpreendente desastre da história da Marinha dos Estados Unidos, o ataque contra o USS Liberty”.

O capítulo 6 do livro de Findley, compreende 15 páginas, a respeito do ataque israelense a um navio da Marinha dos Estados Unidos. Seria como alguém surrar sua própria mãe. Reproduziremos a seguir, em parte, alguns fatos do referido capítulo, evitando fatos já mencionados por outros autores. Eis o que escreveu Findley:
“O assalto no “assalto”.

O episódio e seu rescaldo foram tão incríveis que o Almirante Thomas L. Moorer [já acima mencionado e qualificado], um mês após o ataque observou:
”Se tivesse sido escrito como ficção, ninguém acreditaria nela”. Os fatos são claros. O ataque não foi acidente. O Liberty foi atacado em clara luz do dia pelas forças israelenses que conheciam a identidade do navio. O Liberty, um navio captador de dados de inteligência, não tinha capacidade de combate e era munido de apenas metralhadora para sua defesa. Uma brisa contínua fazia a bandeira estadunidense facilmente visível. O assalto ocorreu durante um período de perto de duas horas – primeiro pelo ar, depois por torpedeiros. A ferocidade dos ataques não deixaram dúvida: as forças israelenses queriam que o navio e sua tripulação fossem destruídos”.

O público estadunidense¸ no entanto, foi mantido no escuro. Mesmo antes que o público estadunidense tomasse conhecimento, os funcionários graduados do governo estadunidense começaram a promover uma versão satisfatória para Israel. [A organização sionista de lobby nos Estados Unidos] The American Israel Public Affairs Committee (AMPAC) atuou ativamente através do Congresso para manter a história sob controle. O Presidente dos Estados Unidos, Lyndon B. Johnson, ordenou e conduziu um encobrimento tão ferrenho que dezesseis anos depois que ele deixou o cargo, o episódio continuava largamente desconhecido do público – e os homens que sofreram e morreram se foram sem glória.

Todos os livros escritos sobre o assunto foram ‘comprados’ nas editoras e nas livrarias, com o claro propósito de escamotear a verdade – mentir.

Uma conclusão é obvia: quem tem um amigo como Israel, não precisa de inimigos.

Jose Farhat
25/07/2017

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Acordos de Camp David: trapaça de 40 anos

Os Acordos de Camp David completaram 39 anos de assinatura, em 17 de setembro de 2017. Os árabes palestinos sofrem suas consequências até hoje e, pelo correr dos acontecimentos, tudo indica, continuarão submetidos às regras que lhes foram impostas por Estados Unidos e Israel – com assistência direta do Egito e remota da Jordânia.

Para evitar cair em novas trapaças, basta atentar para o discurso do presidente Donald Trump na 71ª Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU), em Nova York, e as suas outras declarações sobre o Oriente Médio, a qualquer tempo. A Palestina sempre corre perigo, e Camp David foi apenas um episódio. Ficar alerta é devido!

O objetivo da reunião em Camp David, um retiro para laser dos presidentes estadunidenses, no que concerne Egito e Israel era: o Egito reganha a Península do Sinai, ocupada pelo estado sionista, ao custo de uma concordância em assinar um acordo de paz e estabelecer relações normais com Israel. Os dois Estados assumem o compromisso de estabelecimento de zonas de segurança no Sinai e de limitar a presença de forças militares dos dois lados.

Quanto à Palestina, a intenção era fatiá-la e dar aspecto de legitimidade aos retalhos. Isto porque lá não estava palestino algum ou alguém que falasse em nome da Palestina e contra sua divisão e submissão. Todos os participantes demonstravam querer uma coisa e, na verdade, pretendiam outra.

No que concerne a Palestina e a paz na região Egito, Estados Unidos e Israel traçaram o seguinte plano, a revelia de todos os ausentes: durante os primeiros cinco anos o território a leste do Rio Jordão (chamada de Cisjordânia) e a Faixa de Gaza ganhariam autonomia e os palestinos viveriam sem a ocupação israelense, mas Israel manteria campos militares na Cisjordânia.

A Jordânia, a quem faltava coragem de lá estar, não participou da reunião, apesar de seu interesse estar em jogo que era manter soberania sobre a terra da Palestina que lhe foi dada pela Grã Bretanha em 1922. Note-se que os britânicos não eram donos da terra para doá-la. Assim mesmo esta doação foi feita e os palestinos nem sequer foram consultados.

Israel declarava querer apenas o território que lhe cabia pela partilha, mas até mesmo a sua bandeira nacional denunciava seu intento de tomar toda terra que estivesse entre os rios Nilo e Tigres, considerando os Acordos tão somente uma fase de seu plano de dominação.

Os Estados Unidos promoveram a reunião que levaria aos Acordos, a fim de fincar sua bandeira na região e dominar o Oriente Médio, substituindo o decadente Império Britânico e evitando que a União Soviética reforçasse sua posição regional. O Tesouro estadunidense participou também com uma doação anual de dez bilhões de dólares, dois terços dos quais destinados a Israel.

A Palestina não foi convidada, nem mesmo aquela criada pela partilha adotada pela AGNU. Também convenhamos: onde uma quadrilha planeja massacrar alguém, não se chama a vítima a ser degolada.

Negociaram e assinaram os Acordos de Camp David: pelo Egito, seu presidente Anwar al-Sadat, um militar e político, nascido no Egito e lá mesmo assassinado em 1981. Representava Israel seu Primeiro-Ministro Menachem Begin, líder sionista e político israelense nascido em 1913, na Rússia e falecido em 1992, na Palestina, a qual ajudou a ocupar por força das armas. Representava os Estados Unidos o presidente Jimmy Carter.

É de suma utilidade para compreensão da tramoia, mencionar resumidamente alguns de seus precedentes.

Através da Resolução 181, de 29 de novembro de 1947, a AGNU votou a partilha da Palestina, até então sob mandato da Liga das Nações, exercido pela Grã Bretanha e encaminhou-a para o Conselho de Segurança.

Israel considerou a Resolução da AGNU, já que lhe convinha, como mandatória para a posse da terra. Declarou imediatamente sua independência e a formação de seu Estado. Sua liderança emitiu ordens para que seu Exército, oriundo de um ajuntamento de organizações terroristas, avançasse sobre a maior parte possível daquilo que cabia aos palestinos e expulsar quem lá estivesse.

Durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967, Israel ocupou todos os territórios acima mencionados, inclusive os altos de Julan (Golan), tomados da Síria, mais uma pequena parte do território libanês e a Península egípcia do Sinai. A Resolução 242 das Nações Unidas, de novembro de 1967, ordenou a retirada de Israel desses territórios, negociação e assinatura de acordos de paz entre as partes e solução do problema dos refugiados, não teve aceitação pelas partes. É óbvio que Israel não respeitou a Resolução das Nações Unidas e continua ocupando tudo até hoje, praticando uma apartheid vergonhosa contra os legítimos donos da terra.

A visita de Sadat a Israel, em 1977, e as negociações que se seguiram entre ele e o governo israelense não tiveram qualquer resultado. Somente com Carter assumindo a presidência dos Estados Unidos, após sondagens iniciais às partes, foi feito o convite a Sadat e Begin para uma reunião no retiro presidencial de Camp David.

Os líderes dos dois países, Sadat e Begin, aceitaram o convite e a reunião começou em 5 de setembro 1978 durando 13 dias. O mais condenável nesta reunião é que os três líderes de seus países simplesmente procuraram realizar suas reivindicações, sem dar a mínima oportunidade ao povo palestino para dizer qual a sua opinião.

É importante lembrar que até mesmo os dois líderes, egípcio e israelense, eram diferentes em suas personalidades, o que dificultava o diálogo. Begin era sempre formal em sua vestimenta e maneiras, detalhista e pessimista naquilo que poderia resultar da reunião e seus desdobramentos e insistia em propor que de Camp David só saísse um acordo sobre uma agenda para encontros futuros. Já Sadat, ao contrário, sempre se apresentava com roupas esportivas modernas, estava sempre à vontade, otimista e de bom humor, insistindo sempre em que a reunião resultasse em soluções para todos os assuntos controversos durante aqueles poucos dias.

Após três dias de negociações, chegou-se a um impasse tão grave que dificultava o diálogo entre Sadat e Begin. A solução foi Carter elaborar um documento único com os pontos de vistas dos dois lados e ir se reunindo separadamente com um e outro, retirando o que era inaceitável e sublinhando aquilo que era aceitável pelos dois, até que chegou a um documento único. Tudo à custa da Palestina.

Uma solução só foi atingida no último dia de reunião, com os três sendo criticados por seus povos, não se satisfaziam com o sofrimento e injustiça que mais uma vez castigava a Palestina.

Esta reunião foi modelo para outra que seria realizada no mesmo local, de 11 a 25 de julho de 2.000, conduzida pelo Presidente dos Estados Unidos Bill Clinton, com a participação do Presidente da Organização de Libertação da Palestina Yasser Arafat, e o Primeiro-Ministro de Israel Ehud Barak. A proposta dos Estados Unidos e Israel não foi aceita por Arafat que se retirou da reunião, evitando legitimar a trapaça.

José Farhat

17/09/2017

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A Declaração Balfour

Em palestra pronunciada na 1ª Jornada do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo – Campus Cubatão, indiquei um ponto qualquer no mapa dos países árabes do Oriente Médio a fim de enfatizar que o Império Britânico havia prometido tal lugar, ao mesmo tempo, a quatro grupos diferentes.

De fato, aquele ponto no deserto estava fazia então parte do Reino dos Hachemitas do Hijaz, aos quais fora prometido como parte do território da nação árabe a ser criada quando e se os árabes entrassem em guerra contra o Império Otomano. Como de fato aconteceu.

O ponto acabou como parte da Transjordânia, que destacada de terras palestinas, também prometidas aos sionistas. Estes ganharam a Palestina e o ponto indicado passou para os Hachemitas que se contentaram com a atual Jordânia, enquanto todo o deserto, antes hachemita acabou na mão dos sauditas que formaram o Reino da Arábia Saudita, com a ajuda do próprio Império britânico.

Pelo Acordo secreto conhecido como Sykes – Picot, as terras que circundam o ponto foram divididas entre França, Grã Bretanha, Itália e Rússia. A Rússia, com sua revolução vitoriosa não se interessou pela terra e a Itália continuou com o seu comportamento dolce far niente que caracterizou sua atitude durante as negociações de paz da I Guerra Mundial.

Pode tudo parecer confuso, mas a verdade é que o Império Britânico que prometeu o mesmo ponto para quatro pretendentes diferentes só poderia mesmo assim querer que fosse. Aliás, as próprias negociações foram confusas e ninguém menos que o britânico Marechal de Campo, presente nos campos de batalha, comentou a respeito dizendo: “Depois de ‘a guerra para pôr o fim à guerra’, parece que eles foram bem-sucedidos em Paris em celebrar ‘a paz para pôr fim à paz’”.

No último dia de finados, 2 de novembro de 2019, a Declaração Balfour completava 100 anos de sua assinatura e divulgação. Desde os primórdios da I Guerra Mundial, o lobby do movimento sionista na Grã Bretanha começou a assediar o governo britânico a fim de trazê-lo para o lado de sua causa e encontraram em Mark Sykes (o mesmo dos acordos Sykes-Picot) um entusiasta que professava, em suas próprias palavras: “um interesse em libertar os desvalidos povos da terra, inclusive os armênios, árabes e judeus”.

O documento, uma carta em papel oficial do Ministério do Exterior, datada, de 2 de novembro de 1917, endereçada a Lionel Walter Baron Rothschild (1868-1937), é assinada por Arthur James Lord Balfour (1848-1930), Secretário do Foreign Office, diz textualmente:

“Prezado Lord Rothschild,

Tenho muito prazer em retransmitir-lhe, em nome do Governo de Sua Majestade, a seguinte declaração de simpatia para com as aspirações dos judeus sionistas que foram submetidas ao e aprovadas pelo Gabinete: ‘O Governo de Sua Majestade vê com favorecimento o estabelecimento na Palestina de um lar nacional para o povo judeu e usará seu melhor esforço para facilitar a realização deste objetivo, ficando claramente entendido que nada será feito o qual possa prejudicar os direitos civil e religioso das comunidades não-judias existentes na Palestina ou os direitos e status usufruídos pelos judeus em qualquer outro país’.

Ficarei grato se levar esta declaração ao conhecimento da Federação Sionista.

Sinceramente,

Arthur James Balfour.”

Para que se tenha uma ideia da repercussão que teve a assinatura desta carta, o The New York Times já publicava a notícia, do outro lado do Atlântico, seis dias depois e já dava conta do comentário do The Jewish Chronicle, o mais antigo e mais influente jornal judeu, baseado em Londres, onde se lê:

“Com um passo a causa judia fez um grande salto palpável de que o judeu, condenado por dois mil anos por um erro sem paralelo – está finalmente chegando a seu direito. A ele é dada a oportunidade e os meios pelo qual no lugar de ser hifenizado ele pode se tornar uma nação, em vez de ser um errante em todo clima haverá um lar para ele em sua antiga terra. O dia deste exílio será terminando”.

Não faltam afirmações ou até vaticínios sobre porque a Grã Bretanha aceitou emitir e publicar a Declaração Balfour. É provável que a Declaração fosse intencionalmente capciosa a fim de permitir aos britânicos que renegassem suas promessas anteriores à França e aos Árabes, a respeito da Palestina. Atribui-se ao Primeiro Ministro à época, David Lloyd George (1863-1945) uma frase elucidativa de que “o controle britânico sobre a Palestina evitaria que ela caísse nas mãos daqueles franceses agnósticos e ateus”.

A mais provável hipótese é que a Declaração tinha o propósito de agradar aos judeus, para que as comunidades judias dos Estados Unidos e da Rússia influenciassem seus governos para que apoiassem a Grã Bretanha na Guerra. Isto apesar de o Foreign Office saber que o lobby judeu havia feito proposta semelhante ao campo oposto: Alemanha e Turquia, para ganhar a Palestina independentemente de quem fosse o vencedor da Guerra. Seja lá como for, a declaração servia aos interesses imperialistas britânicos e notadamente para garantir uma base judia amigável, para defesa do Canal de Suez, contrabalançando um eventual levante árabe não amigável.

José Farhat

14/11/2017

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Os tradutores árabes fizeram muito mais que somente preservar a filosofia grega (1)

Autoria: Peter Adamson

Tradução e Comentários: José Farhat

Na antiguidade europeia, os filósofos em grande parte escreveram em grego. Mesmo depois da conquista romana do Mediterrâneo e a cessão do paganismo, a filosofia foi fortemente associada à cultura helênica. Os principais pensadores do mundo romano, tais como Cícero[3] e Sêneca[4], eram embebidos de literatura helênica; Cícero inclusive foi a Atenas para prestar homenagem à casa de seus heróis filosóficos. Ditosamente o Imperador Marco Aurélio[5] foi tão longe quanto escrever suas Meditações em grego. Cícero, e depois Boécio[6], tentaram iniciar uma tradição filosófica em latim. Porém nas antigas Idades Médias, a maioria do pensamento grego era acessível em latim somente parcial ou indiretamente.

Alhures, a situação era melhor. Na parte leste do Império Romano, os grego-falantes bizantinos podiam continuar a ler Platão[7] e Aristóteles[8] no original. E os filósofos do mundo islâmico desfrutavam de um extraordinário grau de acesso à herança intelectual helênica. Em Bagdá do século X, leitores árabes tinham o mesmo grau de acesso a Aristóteles quanto os leitores em inglês na atualidade.

Isto foi graças a um muito bem remunerado movimento de tradução que se revelou durante o califado abássida[9], começando na segunda metade do século VIII. Patrocinado por altos níveis, até mesmo pelo Califa[10] e sua família, este movimento objetivou importar a filosofia e a ciência grega para a cultura islâmica. O império deles tinha recursos para tal, não só financeiramente, mas culturalmente também. Desde a antiguidade tardia até a ascensão do Islã, o grego sobreviveu tal como língua de atividade intelectual entre cristãos, especialmente na Síria. Então quando a aristocracia muçulmana decidiu ter a ciência e a filosofia gregas traduzidas para o árabe, foi para os cristãos que eles se voltaram. Algumas vezes, um trabalho em grego poderia ser traduzido antes para o siríaco[11] e só depois para o árabe. Foi um imenso desafio. O grego não é uma língua semítica, então eles se movimentavam de um grupo linguístico para outro, tal como traduzir do finlandês para o inglês. E não existia, no início, qualquer terminologia para expressar ideias filosóficas em árabe.

O que levaria a classe política abássida a sustentar este enorme e difícil empreendimento? Parte da explanação é sem dúvida a pura utilidade do corpus científico: texto-chave em disciplinas tais como engenharia e medicina tinham obviamente aplicações práticas. Só que isto não nos diz por que os tradutores eram regiamente pagos para traduzir, por exemplo, a Metafísica de Aristóteles ou a Enêida de Plotino[12] para o árabe. Pesquisas pelos principais eruditos do movimento da tradução grego-árabe, especialmente Dimitri Gutas[13] em Greek Thought, Arabic Culture (1998), sugere que os motivos eram de fato profundamente políticos. Os califas queriam estabelecer sua própria hegemonia cultural, em competição com a cultura persa e também com a dos vizinhos bizantinos[14]. Os abássidas queriam mostrar que eles podiam dar continuidade à cultura helênica melhor que os bizantinos grego-falantes, ignorantes como eles eram pela irracionalidade da teologia cristã.

[1] Peter Adamson é professor de filosofia na Ludwig Maximilian University of Munich. Ele é autor de inúmeros livros, incluindo The Arabic Plotinus (2002), Great Medieval Thinkers: al-Kindi (2007) e Philosophy in the Islamic World (2007) e hospeda o podcast History of Philosophy.

[2] Tradução e Notas de rodapé por José Farhat, cientista político, arabista e Diretor de Relações Internacionais do Instituto da Cultura Árabe para publicação pelo ICARABE com autorização da AEON.

[3] Cícero, cujo nome completo é: Marcus Tullius Cicero (106-43 aC), foi estadista romano, jurista, erudito e escritor. Tentou inutilmente defender os princípios republicanos no final das guerras civis que destruíram a República Romana. Seus escritos incluem livros de retórica, oratória, tratados filosóficos e políticos e cartas.

[4] Sêneca, cujo nome completo é Lucius Annaeus Seneca, o jovem (4 aC-65 dC), foi filósofo romano, estadista, orador e autor de tragédias, foi figura intelectual vanguardeira romana do primeiro século da era comum e o governante virtual de Roma, com seus amigos, Entre os anos 54 e62 dC durante a primeira fase do reinado do imperador Nero (37-68 dC), aquele que se tornaria infame por suas devassidões e extravagâncias e pelo incêndio de Roma.

[5] Marco Aurélio, cujo nome completo é Caesar Marcus Aurelius Antoninus Augustus (121-180 dC), foi imperador romano, mas mais famoso por seu livro Meditações, sobre filosofia estoica, simbolizou para muitas gerações a Idade de Ouro do Império Romano. O estoicismo é uma escola de pensamento que floresceu nas antiguidades grega e romana. Para os registros da civilização ocidental foi uma das mais sublimes filosofias. Ao incitar a participação nos assuntos humanos, os estoicos sempre acreditaram que o objetivo de toda indagação é prover um modo de conduta caracterizada pela tranquilidade mental e a certeza do valor moral.

[6] Boécio, cujo nome completo é Anicius Manlius Severinus Boethius (470-524 dC), erudito romano, filósofo cristão, estadista e autor do celebrado De consolatione philosophiae (Consolação da filosofia), uma obra neoplatônica na qual a procura da sabedoria e do amor de são descritos como a verdadeira fonte da felicidade humana. Boécio escreveu sobre teologia, compôs um poema pastoral e foi o mais famoso tradutor das obras gregas sobre lógica e matemática e também sobre aritmética e música.  Ele era evidentemente bastante conhecedor da língua grega.

[7] Platão (427-347 aC), antigo filósofo grego, estudante de Sócrates e professor de Aristóteles e fundador da Academia, mais conhecido como autor de obras filosóficas de influência sem paralelo.

[8] Aristóteles (384-322 aC), antigo filósofo grego e cientista, uma das mais importantes figuras da história ocidental, foi autor de um sistema filosófico e científico que se tornou a estrutura e o veículo tanto para a escolástica cristã quanto para a filosofia muçulmana medieval. Mesmo depois das revoluções intelectuais do Renascimento, da Reforma e do Iluminismo, os conceitos aristotélicos continuaram incorporados ao pensamento ocidental.

[9] Califado Abássida é a segunda maior dinastia do Império Islâmico. Ele teve início com a derrubada do Califado Omíada no ano 750 dC e durou até ser destruído pela invasão mongol em 1258 dC. O nome Abássida deriva do tio do Profeta Muhammad, al-Abbas (falecido em 653 dC), do clã Hashemita da tribo Quraish, de Meca. Desde cerca do ano 718, membros da família trabalharam para ganhar o controle do Império e, por meio de uma propaganda habilidosa ganhou apoio, principalmente dos xiitas árabes e persas. A revolta aberta começou em 747 sob a liderança de Abu Muslim que levou à derrota de Marwan II, o último Califa Omíada, na batalha do Grande Rio Zab na Mesopotâmia, seguida da proclamação de Abu al-Abbas as-Saffah como primeiro califa abássida. Sob a nova dinastia o califado entrou em nova fase focando-se não para o oeste – África do Norte, Mediterrâneo e sul da Europa como os omíadas – e sim para o leste, a começar pela remoção da capital para a nova cidade de Bagdá, observando atentamente os eventos das já vastas fronteiras. Pela primeira vez o califado não se coadunava com o Islã; no Egito, África do Norte, Espanha e além destas, dinastias locais reivindicavam status de califado. Com o advento dos abássidas a base de influência do império tornou-se internacional enfatizando a adesão à comunidade de muçulmanos em vez de se limitar a árabes. Como o maior apoio aos Abássidas vinha dos convertidos persas tornou-se natural a adoção de tradições governamentais dos persas Sassânidas. O apoio de piedosos muçulmanos levou os abássidas a publicamente reconhecerem a lei islâmica embrionária e a declarar que baseavam seu governo da religião muçulmana. Entre 750 e 833 o prestígio e poder do império foram intensificados pela promoção do comércio, indústria, artes e ciência, particularmente durante o reinado de al-Mansur, Harun al-Rashid e al-Maamun. O poder temporal deles começou a declinar quando al-Muutassim introduziu não muçulmanos tais como berberes, eslavos, e principalmente turcos mercenários em seu exército pessoal e, apesar dessas tropas terem se convertido ao Islã, a base da unidade imperial através da religião desapareceu e alguns dos oficiais do novo exército rapidamente aprenderam como controlar o califado através do assassinato de qualquer califa que não acedesse a suas reivindicações. O poder dos oficiais foi diminuído pelas rivalidades internas a começar quando os iranianos Buvides entraram em Bagdá em 945 para obrigar o califa al-Mustakfi, que reinou por dois anos, de 944 a 946, para que os reconhecesse únicos governantes do território que controlavam. Este evento iniciou um século inteiro durante o qual a maior parte do império era governada por dinastias seculares locais. Até que em 1055 os abássidas foram dominados pelos turcos Seljuques que se apoderaram do que restou ao califa de poder temporal, mas respeitando a posição como líder religioso, restaurando a autoridade do califado, especialmente durante o reino de Al-Mustarshid, al-Muqtafi an-Nasir. Logo a seguir, em 1258, a dinastia caiu durante o cerco Mongol de Bagdá. A Dinastia Abássida durou 508 anos

[10] Califa é o sucessor do profeta Muhammad na qualidade de guia ou líder temporal e espiritual da comunidade islâmica (a umma). O título passaria a ser usado por todos os líderes muçulmanos daí em diante.

[11] Siríaco é uma antiga língua semítica, usada ainda na liturgia de certas igrejas sírias.

[12] Plotino, em grego Plotinus, (205-270) foi um antigo filósofo, o centro de círculo influente de intelectuais e homem de letras do terceiro século de Roma, é considerado na atualidade como fundador da escola de filosofia Neoplatônica. É também famoso como autor da Eneida.

[13]Dimitri Gutas (nascido em 1945) é um arabista e helenista estadunidense, professor de Estudos Árabes e Islâmicos no Department of Near Eastern Languages and Civilizations, na Yale University. É autor de inúmeros livros, monografias e artigos de sua especialidade.

[14] Império Bizantino é a metade oriental do Império Romano que sobreviveu por mil anos depois que a metade ocidental romana desagregou-se em vários reinos feudais e cujo final resultou de uma carnificina turco-otomana em 1453. Bizantino é relativo à cidade de Bizâncio (atual Istambul, na Turquia) ou o seu natural ou habitante.

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