Xeque-mate à libanesa

O Líbano passou a ter, para a Arábia Saudita, mais preocupada atualmente alhures, agora com alhures, principalmente no Iêmen e na Síria, foi uma jogada decisiva no tabuleiro de xadrez da política libanesa; não foi única, mas a mais importante.

A eleição de Michel Aoun para a presidência do País do Cedro, no último dia deste outubro de 2016, foi uma vitória do Hizbullah, da Síria e do Irã. A eleição do velho General Aoun enfatiza o equilíbrio das correntes regionais favoráveis, no momento, ao Irã e seus aliados.

Se o relativo desinteresse da Arábia Saudita favoreceu a eleição pelo Parlamento libanês não é surpresa que isto tenha acontecido quando as forças leais ao presidente Bachar al-Assad obtêm sucesso diante das brigadas rebeldes recheadas de combatentes mercenários dos cafundós deste planeta e de ‘jihadistas’ que em nome do Islã traem os próprios princípios básicos da religião do Corão.

Outra importante observação, na atualidade, é que poucos ainda falam no que insistiam ser absolutamente necessário, nos idos de 2012 e 2013, quando alardeavam que Bachar era dado como politicamente um defunto.

Sendo o Líbano o único país onde a oposição faz parte do governo, sem que este se constitua num poder de esforço de união nacional, a vitória de Aoun é compartilhada também por Saad al-Hariri, chefe do setor oposto ao próprio Eixo da Resistência formado pelo eleito presidente, apoiado pelo Hizbullah que luta na Síria contra a tentativa de desestabilizar a Síria e o campo iraniano.

O Eixo da Resistência, no íntimo, preferiria que o eleito fosse Sleiman Frangié, neto do chefe de estado, de mesmo nome, nos anos 1970, e íntimo de Bachar.

Há também uma surpresa em Hariri aceitar a chefia de um governo que atuará ao lado de Damasco, pois ele declaradamente suspeita, como querem os verdadeiros perpetradores do atentado contra seu pai, Rafik al-Hariri, em 2005, Israel e Estados Unidos através de Mosad e CIA.

O que moveu Saad não foi o seu patriotismo e sim o fato de seus principais negócios na Arábia Saudita estarem submetidos a pressão política e, em segundo lugar, estarem os ditos negócios, também no Líbano, cercanias e alhures, necessitando de maior atenção e soluções que os tire da crise que já dura dois anos e meio, desde quando impediu uma solução para a crise presidencial libanesa.

O ‘massari’ falou mais alto nas contradições da politicagem libanesa.

Jose Farhat é cientista político e arabista.

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Religião e a Batalha de Chaldiran

Em 23 de agosto de 1514, o Brasil recém nascia e, no Oriente Médio, já se disputava aquilo que hoje ainda perdura: os poderosos guerreando através dos fracos, para reforçar suas hegemonias, usando de lado a lado uma arma profana: a própria Religião.

Perto de 500 anos depois, assistimos à Revolta no Barein, de 14 de fevereiro a 18 de março de 2011, quando o povo bareinita empreendeu uma série de manifestações que se tornaram violentas quando o governo da Família al-Khalifa apelou para forças regulares de outros países árabes e mercenários de outras origens, para forçar o povo a desistir de suas reivindicações. O que queria o povo de Barein era acabar com a corrupção, criar mais empregos que estavam sendo preenchidos por estrangeiros, acelerar o rítmo quase patinante da verdadeira democracia, acabar com a discriminação contra os barenitas xiitas. As desculpas governamentais eram menos que meia verdade. Isto porque se olharmos os países do Golfo vamos notar em todos eles uma característica peculiar: o povo que cria riqueza recebe migalhas, mas é coincidentemente xiita e os governantes que se apoderam das riquezas nacionais são todos sunitas. Fica fácil então pintar os movimentos populares de reivindicações como uma questão religiosa, sunitas contra xiitas, uma falsa pintura do quadro de reivindicações populares em toda a região e não uma questão religiosa. Desta forma, o governo de Barein angariava apoio de seus vizinhos como movimentos religiosos xiitas, prontos para derrubar os governos sunitas da região. É uma situação inversa àquela que criou a Batalha de Chaldiranm, mas é igual no que concerne ao uso da Religião para fins longe de serem religiosos.

Semanas atrás a luta pela hegemonia regional voltou a usar a religião como ponto central. Duas potências locais, uma sunita wahabita e a outra xiita duodecimana declararam, cada um por sua vez, que a outra parte não era muçulmana,  por seguirem uma ou a outra vertente do Islã. Isto interferiu na participação dos cidadãos de um país no livre acesso de muçulmanos para o cumprimento do hajj, um importante pilar do Islã. Não precisa ser um sábio em matéria de Islã para notar que a causa deste ato não está na Religião e sim na Política em busca da hegemonia regional.

É chegada a hora – a bem da verdade, ela já passou há muitos séculos –  para que os homens no poder, seja lá quando ou onde estiverem, assumam a verdade e deixem de lado a religião.

A Batalha de Chaldiran (uma cidade situada onde hoje é a Turquia), em 23 de agosto de 1514, não era para um sunita combater um xiita e vice versa e sim para saber quem é que passaria a dominar a região da Anatólia oriental.

Em 1514 o sultão otomano Selim I (1470-1520) também conhecido como Salim I Yavuz (o Sinistro, assim chamado por ter mandado matar seu pai e irmãos para que não sobrasse quem contestasse seu poder), sunita, iniciou uma campanha contra o xá iraniano Ismail I (1487-1524), fundador da dinastia Sefewida, para acabar com a influência sefévida sobre as tribos turcomanas dos Kizilbash, os cabeças vermelhas (assim chamados devido à cor de seus turbante), que estavam em revolta aberta contra a dominação otomana e que demonstravam seu descontentamento através do desafio à ortodoxia sunita. Note-se, que os Turbantes Vermelhos estavam descontentes com a dominação otomana e que a ‘ortodoxia sunita’ foi a desculpa para a rebelião, sublinhando-se igualmente que os otomanos perseguiam os Kizilbash, não por serem xiitas, mas por influenciarem as tribos dominadas encorajando-as à rebelião. A religião não passava de uma desculpa.

O estado sefévida, baseado no misticismo assim como os turcomanos no Azerbaijão e no Irã ofereciam aos turcomanos anatólios alternativas religiosas e políticas e os emissários sefévidas conduziam extensa atividade missionária através da Anatólia. Tal os pregadores estadunidenses na Amazônia que usam a religião como desculpa para que cumpram com o seu verdadeiro objetivo: descobrir as riquezas amazônicas. Os Sefévidas descendiam do Sheikh Safi al-Din (1253-1334) de Ardabil (hoje na região do Curdistão iraquiano), era o dirigente da ordem sufista dos Safawiah. Xá Ismail I (1487-1524) trocou a afiliação sunita dos sefévidas pelo xiismo talvez nem tanto pela Fé e sim para provocar os otomanos.

Salim começou por subjugar os Kizilbash anatólios e depois proclamou que sua “expedição contra o Xá era uma guerra santa contra os heréticos, os xiitas, que estavam corrompendo o Islã”. Os dois exércitos finalmente se enfrentaram em Chaldiran, a nordeste do Lago Van na Anatólia oriental. Salim tomou precauções contra os seguidores do Xá no meio de suas próprias tropas e ordenou o ataque em 23 de agosto e ganhou uma vitória otomana sensacional. Os janissaros (tropa otomana de elite) foram municiados com pequenas armas e foram apoiados por pequenas peças de artilharia montadas em carrinhos de bagagem, que devastaram os Kizilbash. Seria a primeira batalha na História ganha com o uso de armas de fogo.

Apesar de Salim ter entrado em Tabriz, no Irã ocidental (em 7 de setembro) a vitória não resultou em conquista otomana imediata devido a agitações no seio dos Janissares. Salim voltou logo depois à Anatólia. O mais significativo da batalha de Chaldiran, no entanto, foi a subsequente incorporação ao estado otomano dos principados curdos do leste da Anatólia e do principado turcomano de Dulkadir na região do Maras-Elbistan (1515) e da maior parte da região.

E assim, os otomanos tiveram um ganho marginal ao criar uma barreira contra invasões vindas do oriente, e passaram a controlar as rotas comerciais de Trabiz-Alepo e Tabriz-Bursa, um dos objetivos reais das guerras de conquista.

Quanto à religião, ora a religião.

José Farhat

21/09/2016

 

 

 

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A Revolução dos Hipócritas

O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, e hoje advogado, Joaquim Barbosa utilizou na segunda-feira, 18/04/2016, seu perfil no Twitter para desabafar sobre seu descontentamento com o teor dos votos dos deputados no processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff no domingo anterior. O ex-ministro não se manifestou a favor nem contra o impedimento da petista.

“É de chorar de vergonha! Simplesmente patético!”, continuou Barbosa. O comentário foi feito logo após criticar a imprensa brasileira e recomendar aos seus seguidores assistirem a entrevista de Glenn Greenwald à emissora de TV americana CNN e também lerem a matéria da revista britânica The Economist listando as justificativas dos deputados em seus votos pelo impedimento.

Ele não se manifestou a favor nem contra o impeachment da presidente.

Nos votos, na Câmara dos Deputados, a maioria dos parlamentares favoráveis ao afastamento de Dilma não fizeram nenhum comentário ou posicionamento sobre as pedaladas fiscais – manobras contábeis que embasam o pedido de impeachment – e utilizaram como justificativa seus próprios familiares, “deus”, “cristianismo”, “o fim da corrupção”, “a paz em Israel”, dentre outros motivos que surpreenderam até a imprensa internacionais, conforme seleção que citamos a seguir:

CNN: É incrivelmente flagrante o que está acontecendo no Brasil.

FORTUNE: Colocar o PMDB no governo é como limpar o chão com um pano sujo.

THE GUARDIAN: O impeachment de Dilma: um escândalo e uma tragédia

THE ECONOMIST: “Por Deus, pelo aniversário de minha avó, pela minha família”.

EL PAIS: Um Parlamento com momentos de Circo decide o futuro de Dilma.

DEL SPIEGEL: A Revolução dos Hipócritas. O Congresso revelou sua verdadeira face.

SICO NOTÍCIAS: Nunca vi o Brasil descer tão baixo. Uma assembleia de bandidos comandada por um bandido.

THE IRISH TIMES: Brasil envia os palhaços para votar no impeachment de Dilma.

Voltando ao Ministro Barbosa, ele continuou: “Anotem: teremos outras razões para sentir vergonha de nós mesmos em toda essa história”. No último domingo, 17 de abril de 2016, a Câmara dos Deputados aprovou com 367 votos favoráveis, mais do que os 342 necessários, a continuidade do processo de impedimento de Dilma Rousseff, que agora está em análise no Senado. Se for aceito também no Senado, a presidente será afastada por 180 dias para ser julgada pelo Senado e, durante este período, o vice-presidente Michel Temer assume a Presidência.

Se ao final do processo o Congresso decidir pelo afastamento da petista, o vice peemdebista, eleito com a presidente e com os votos dela, segue como presidente até o final do mandato de Dilma, em 31 de dezembro de 2018, tempo suficiente para desfazer todas as vantagens que o povo brasileiro ultimamente lutou para conquistar.

Só que a maioria dos Deputados que ao votar usou o “santo nome de Deus em vão” e trouxe à baila filhos que ainda não nasceram e não mencionou as sogras, tenta esconder a verdade ululante: o sucessor de Dilma, Michel Temer, também cometeu os mesmos atos pelos quais querem que ela seja condenada. Assim também fizeram os antecessores de Dilma os quais, se assim é, deveriam também serem julgados. Os sucessores de Temer, se a farsa vencer são, como é a maioria daqueles que votaram contra Dilma, réus em processos vergonhosos que deveriam também ter andamento célere como tentam fazer com a atual presidente.

Temer antecipou declaração insossa, como é de seu feitio, à imprensa internacional na tentativa de abafar a declaração que ele e seus asseclas acreditavam que Dilma faria, comprometendo a imagem do país e da turma do sim ao golpe e da sucessão apressada. Mostrou a oposição seu primarismo em assuntos de relações internacionais tanto pela declaração antecipada quanto pelo envio de membros do Congresso Nacional para a sede das Nações Unidas, em Nova York, onde Dilma discursaria “para fazer contraponto à fala presidencial”. O discurso de Dilma, um primor em matéria de diplomacia, abordou o assunto que lhe competia sobre a responsabilidade do Brasil no projeto ambiental planetário e apenas referiu-se à difícil situação do Brasil afirmando que nosso país a superará através da avançada e sólida democracia. Por outro lado, os congressistas brasileiros não foram autorizados a entrar no recinto da reunião e aprenderam que a sede das Nações Unidas não é recinto vergonhoso tal qual aquele no qual Eduardo Cunha transformou a nossa Câmara dos Deputados, com a promoção de uma revolução hipócrita, como bem disse o DEL SPIEGEL.

José Farhat

22/04/2016

 

 

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Ameaçando a paz vem a vitória

            Basta abrir qualquer jornal para se constatar que a situação no Oriente Médio e na África do Norte está piorando sem parar. É questão de Justiça dar a palavra àqueles que estão sendo ameaçados e não a seus aparentemente agressores. Vamos aos fatos.

            Segundo a Associated Press, recentemente citada pelo jornal libanês de língua inglesa The Daily Star, o Ministro do Exterior da Síria, Walid al-Muallim, resumiu a situação vista do lado a ser agredido em uma frase: “Tropas sauditas ou qualquer tropa estrangeira que entrar neste país [na Síria] voltará para casa em caixões de madeira”. E assegurou ainda que “avanços militares recentes colocaram este governo ‘nos trilhos’ para acabar com esta guerra civil de cinco anos”.

            A conferência de imprensa de al-Muallim aconteceu uma semana após o fracasso retumbante dos esforços das Nações Unidas para conversações de paz. Na verdade conversações indiretas entre a delegação oficial do governo sírio e os representantes da oposição. A iniciativa da ONU, na verdade inspirada pelos Estados Unidos, estava fadada mesmo ao malogro porque ninguém ignora que a parte legítima nas negociações só pode ser o governo sírio, assim como é evidente que ninguém sabe quem representa a soi-disant oposição. As forças que atuam contra o governo sírio, em sua grandessíssima maioria, não são de sírios e a nacionalidade dessas forças mercenárias talvez nem seus contratantes saibam quem são e de onde vêm. Na Síria se faz hoje igual ao que os Estados Unidos fizeram no Afeganistão e Iraque: angariar, armar financiar e dar apoio logístico a bandidos, malfeitores, condenados, assassinos de aluguel.

            O Enviado da ONU, Staffan de Mistura teve que adiar a reunião para negociações de paz devido a certas exigências da Oposição, só que a verdade é outra, ninguém sabe que é a tal agremiação oposicionista e sim que existem grupelhos que se arvoram como representantes do povo sírio são muitos e carecem de coordenação; além do fato alarmante que somente seus chefetes desacreditados e desprezíveis falam o árabe. Os Estados Unidos conhecem este tipo de gente, pois quando estavam ganhando a guerra suja no Iraque, também com ajuda de forças irregulares contratadas, havia dezenas de indivíduos que se diziam mandar e ter seguidores no Iraque e entre eles, até estava o antigo chefe de um banco jordaniano que havia roubado descaradamente todo o patrimônio do banco que presidia. Na Síria acontece o mesmo. Como os Estados Unidos não têm apoio legal e decente apoiam todo tipo que pessoas que se dizem mandar em algo dentro da Síria e este é o grupo que seria a oposição síria.

            Fracassadas as negociações houve uma advertência da Arábia Saudita afirmando estar pronta, em princípio, para enviar tropas terrestres para combater na Síria no contexto da campanha militar liderada pelos Estados Unidos contra os extremistas da Daish (Estado Islâmico) eu controlam consideráveis partes dos territórios da Síria e do Iraque.

            Voltando aqueles que se pretende atacar, além do próprio governo sírio, nem é necessário destacar o papel do Hizbullah que está em território sírio, aliado ao governo do país combatendo com heroísmo e, também, mostrando a Israel sua capacidade nos campos de batalha enviando reforço de tropas semana passada para a Síria.

            A Rússia, de seu lado – e o fato incomoda tremendamente os apoiadores da dita ‘oposição’ está dando crescente suporte ativo à Síria e somente esta última semana seus aviões de guerra atingiram 900 pontos de concentração de forças inimigas da Síria.

            O Ministro da Defesa da Rússia também declarou dias atrás que seu país tem bases razoáveis para suspeitar que a Turquia, outra apoiadora da oposição, está empreendendo preparativos intensivos para uma invasão da Síria ao lado de forças estadunidenses e sauditas.

            Não se pode deixar de mencionar a declaração do General Muhammad Ali Jafari, comandante da Guarda Revolucionária do Irã, poucos dias atrás, à Agência Fars afirmando que não acreditava que os sauditas eram “bravos o suficiente” para mandar tropas terrestres. “Eles falam grande”, disse Jafari, “Mas mesmo que isto aconteça não será de todo mal porque serão definitivamente derrotados”.

            Há quem esteja chutando a Paz a todo custo, as ameaças se repetem de lado a lado, a oposição acusa o governo de lançar uma ofensiva contra Aliou para não irem às negociações e de Mistura, o representante das Nações Unidas, apesar de fixar o dia 25 deste fevereiro para o início das negociações disse duvidar que as delegações voltem e, declarações à parte, parece mesmo que al-Muallim tem razão ao apontar que a guerra está perto do fim, como demonstram as vitórias das forças armadas regulares sírias apoiadas por seus aliados.

José Farhat

07/02/2016

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Armas nucleares contra crianças

            O Middle East Monitor apontou que semana passada, separados por mais de 5.000 km, dois acontecimentos quase simultâneos demonstraram porque a imagem internacional de Israel continua célere em sua deterioração. O Parlamento britânico debatia a questão da detenção crianças palestinas pelas forças israelenses no Território palestino ocupado, enquanto o Parlamento israelense debatia os meios de barrar o importante crescimento do movimento Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS).

            Em Westminster o debate considerou minuciosamente a situação atual, inclusive o fato de como as crianças eram detidas dentro de suas casas na calada da noite e as injustiças e discriminações contra as crianças levadas a tribunais militares para serem julgadas. A transferência das crianças dos territórios ocupados para serem julgadas fora dela já é por si um crime de guerra. O debate terminou com aprovação de uma moção considerando que todos os implicados nestes fatos que se encontrarem sob jurisdição britânica sejam detidos e julgados. Até mesmo o chefe da oposição parlamentar exigiu, em nome de seus pares, que “o Governo britânico precisa fazer muito mais para responsabilizar o Governo israelense pelos abusos aos direitos humanos”.

            Já no Knesset, 150 políticos e ativistas discutiram durante mais de duas horas que medidas deveriam ser tomadas para combater a BDS, por eles considerada uma organização que está cobrindo várias áreas, inclusive as da educação e cultura e a tentativa de restrição das ações das forças armadas e a discriminação de Israel junto a instituições internacionais.

            Aqui entre nós, no Brasil, tivemos uma ideia de como atuam as autoridades israelenses, tentando impor sua vontade absoluta a nossa política e aos acordos internacionais, no episódio da indicação do nome embaixador em nosso país de um indivíduo que habita ilegalmente terra palestina ocupada e reside em território tomado de gente que foi expulsa à força.

            Este é, na verdade, o igual comportamento com relação ao BDS, pois as autoridades israelenses não quiseram entender que esta não é uma organização que conte com recursos de monta e sim uma militância respondendo à prática por Israel de colonialismo, ocupação e apartheid.

            Se Israel quiser continuar a aplicar a força e o crime contra os palestinos, eles não saírão ilesos de seu comportamento. Um exemplo que demonstra claramente isto foi dado recentemente pela Igreja Metodista Unida (United Methodist Church), dos Estados Unidos, ao ter vetado cinco bancos israelenses do seu fundo de pensões e estar estudando riscar sete firmas israelenses de sua lista de aplicações. A razão: estes bancos têm um considerável papel no financiamento das colônias israelenses nos territórios palestinos ocupados e as firmas têm suas sedes e indústrias ilegalmente em tais territórios da Palestina.

            Chega a ser hilário quando sionistas batem no peito dizendo que têm grande número de portadores do Prêmio Nobel, querendo demonstrar assim sua capacidade intelectual, mas seu governo não tem talento para entender que sua política está prejudicando o próprio futuro do país que constroem em terra que não lhes pertence.

            Desta forma, é de se acreditar que o estoque de 200 ogivas nucleares é também para uma guerra contra crianças de 10 anos.

José Farhat

15/01/2016

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Terrorismo religioso

            O termo “terrorismo” talvez seja aquele sobre cujo significado círculos governamentais e acadêmicos têm discutido mais que qualquer outro conceito nos últimos tempos. Este é um fato cujas implicações, diferentemente de quaisquer outras, certamente são perigosas, principalmente para a área governamental, a militar em primeiro lugar.

            Note-se que para os Estados Unidos, existem três definições oficiais para terrorismo.

De acordo com o Departamento de Defesa: “Terrorismo é o uso calculado da violência ou a ameaça de violência para inculcar o medo, com a intenção de forçar ou intimidar governos ou sociedades a perseguirem os objetivos que geralmente são políticos, religiosos, ou ideológicos”.

Para o Departamento de Estado, “Terrorismo é a violência premeditada, politicamente motivada perpetrada contra objetivos não combatentes por grupos sub-nacionais ou agentes clandestinos, usualmente pretendendo influenciar uma audiência”.

Finalmente, a definição para o Departamento da Justiça: “Terrorismo é o uso ilegal de força ou violência contra pessoas ou propriedades para intimidar ou coagir o governo, a população civil, ou qualquer segmento, em apoio a objetivos políticos ou sociais”.

Nenhuma dessas definições combina com a definição do governo do Reino Unido, constante da Lei da Prevenção contra o Terrorismo, de 2000, que reza: “Terrorismo é o uso ou a ameaça, com o propósito de fazer avançar uma causa política, religiosa, ou ideológica, de ação violenta contra qualquer pessoa ou propriedade, arriscando a vida ou a saúde ou a segurança do público ou de parte do público”.

A Lei Patriot, de 2001, dos Estados Unidos traz duas definições separadas de terrorismo, cada qual mais longa e mais complicada.

Tendo em vista que terrorismo é um fenômeno internacional, uma definição aceita por todo o planeta é essencial.

Na ausência de uma definição global, o debate do relacionamento, se existir, entre o próprio terrorismo e a resistência à ocupação militar ou colonial, por exemplo, e ao próprio uso da religião como razão do terrorismo, que o assunto que nos interessa aqui, continuará sem solução. Há uma necessidade premente, urgente, de uma definição objetiva para que se possa formular políticas e programas de controle do terrorismo, evitando discussões infindáveis que a nada têm levado e talvez até agravado o surgimento de movimentos que podem ser ou não atribuídos ao terrorismo, dependendo do interesse de cada parte.

O que infelizmente tem acontecido é que algumas grandes potencias preferem a escuridão às definições, tentando evitar que seus atos de violência impar sejam discutidos no contexto do terrorismo. Isto se tornou evidente com o que se seguiu aos atos terroristas de 11 de Setembro contra os Estados Unidos. A chamada “guerra contra o terror” declarada pelos Estados Unidos e um seleto grupo de seus aliados subordinados não querem uma definição precisa de terrorismo, preferindo que este seja definido como ação de grupos não governamentais, a fim de tentar iludir sobre a natureza terrorista mesmo de seus próprios atos.

Fatos não faltam! Não adianta querer mentir para a opinião pública planetária: matar pessoas inocentes por organizações tais como Al-Qaida é terrorismo, mas matar pessoas inocentes cidadãos do Afeganistão, do Iraque, da Somália, da Líbia, da Síria, do Kosovo e tantos outros rincões da terra, por alianças imperialistas, absolutamente não é terrorismo.

Uma lista de vinte e dois grupos terroristas que Washington publicou em novembro de 2001 incluía o libanês Hizbullah e, por esta razão, seus bens nos Estados Unidos foram congelados, enquanto o governo libanês recusava seguir o comportamento estadunidense, argumentando fazer distinção clara entre organizações que praticam o terrorismo e aquelas que têm como objetivo libertar seus países ou territórios ocupados por todos os meios a seu alcance. Lembremos que o Hizbullah foi criado na região sulina do Líbano quando estava submetida à ocupação israelense.

A posição do governo libanês continua a mesma até hoje, quinze anos após a retirada das forças israelenses do sul do Líbano, em 25 de maio de 2000. Declaração do Ministério das Relações Exteriores do Líbano reitera “o direito do Líbano para libertar o território restante ainda sob a ocupação israelense”. Israel ainda ocupa a vila de Ghajar, as fazendas de Shebaa e as colinas de Kfar Shuba. O Líbano baseia sua pretensão contando com as forças de resistência à ocupação encabeçada pelo Hizbullah aliado ao Exército e outras organizações libanesas e não conta obviamente com os Estados Unidos, principais apoiadores de Israel.

Chega a ser demonstração de falta de vergonha argumentar que a morte de milhares de cidadãos inocentes de um país soberano pode ser considerada dano marginal na perseguição e morte de um punhado de terroristas enquanto Estados Unidos e seus ambiciosos aliados imperialistas esbanjam recursos fabulosos em gastos militares usadas contra países militarmente fracos e ainda se dão ao luxo de determinar o contexto e o paradigma nos quais suas políticas externas devem ser discutidas.

Esta é o padrão de duplicidade que as grandes potencias usam e querem impor a todas as nações no trato do assunto de terrorismo, dificultando a aceitação da definição do terrorismo, abrindo o campo para que cometam seus crimes.

De fato, atacar pessoas inocentes, independentemente de suas nacionalidades, pertencentes a qualquer grupo religioso, étnico ou ideológico, quer organizados em exércitos nacionais portadores de uniformes e bandeiras nacionais ou pessoas pertencentes a organizações clandestinas tais como Al-Qaida, devem ser igualmente consideradas terroristas.

Terrorista é terrorista e o adjetivo não deve ser usado, hora sim hora não, de acordo com a atuação momentânea da organização em questão se está agindo ou não de acordo com o interesse das grandes potencias encabeçadas pelos Estados Unidos.

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Antes de tudo, é de grande importância esclarecer que não existe terrorismo religioso. O que ocorre, na realidade, é o uso indevido da religião para a realização de interesses de pessoas, ou de grupos e ou até mesmo de países ou ainda de grupo de países. Essa definição é fictícia. Estão usando a religião para transformar a situação atual de países árabes e muçulmanos e para instalar governos de orientação supostamente religiosa, porém obedientes às política ditadas pelas grandes potências.

Esses interesses, nem sempre estão de acordo com a religião, pelo contrário. O que fazem é um desrespeito tremendo contra os direitos humanos, por tudo aquilo que, de fato, interessa aos países árabes e muçulmanos: emprego, saúde, alimentação e tudo aquilo que os países produtores de petróleo, por exemplo, poderiam dar e não dão.

Ao ser proposto um debate sobre “Terrorismo Religioso” o caminho que se abre é o do terrorismo relacionado com o Islã. Esta é a Religião que vem imediatamente às mentes mal informadas e que vem sendo martelada sem cessar nas fontes de informações dirigidas.

Baruch Kopel Goldstein (1956-1994), na manhã de 25 de abril de 1994, às 05:00 horas da manhã, vestido com seu uniforme do exército israelense, enquanto 800 palestinos muçulmanos rezavam na Cava dos Patriarcas, um lugar sagrado para muçulmanos e judeus, fez com que os guardas israelenses o deixassem passar com seu rifle de assalto IMI Galil, 4.900 projéteis e inúmeras granadas, posicionou-se na única porta de saída, atrás dos muçulmanos que rezavam e abriu fogo: matou 29 pessoas e feriu 125. Foi obviamente dominado e surrado até à morte. Ele está enterrado sob um monumento para supostamente homenagear a sua coragem em prol da religião, a religião dele obviamente. Ele é considerado por seus irmãos de fé que ocupam à força terras que não lhes pertence como um herói e os palestinos, mortos ou vivos, mulheres idosos e crianças incluídos, são os terroristas.

Este poderia ser um exemplo de terrorismo religioso, pois este foi o único móvel para o crime de Goldstein na mesquita e na ocupação das terras palestinas, pois acreditava e seus pares acreditam que a terra lhes foi doada por Deus. Aqui neste recinto dificilmente encontraremos alguém que já ouviu falar nele. Os palestinos, sem distinção dos cristãos entre eles, são considerados terroristas islâmicos quando reivindicam politicamente a posse de suas terras e os sionistas nem são taxados de terroristas religiosos apesar do seu óbvio comportamento.

Vamos analisar algumas das pedras arremetidas contra o Islã e os muçulmanos.

O fundamentalismo é qualquer corrente, movimento ou atitude, de cunho conservador e integrista, que enfatiza a obediência rigorosa e literal a princípios básicos que remete a um livro sagrado. Há o fundamentalismo judeu, o cristão e o islâmico, mas só este é objeto de crítica ignorante e só ele é usado por certos muçulmanos para fins políticos criminosos; como é o caso da Arábia Saudita no Iêmen.

Fundamentalismo é o termo usado para o esforço de definir os fundamentos de uma religião e eventualmente aderir a eles. No caso do Islã, o objetivo principal de seu fundamentalismo é a proteção da pureza dos preceitos islâmicos evitando suas adulterações. Renascimento e ressurgimento e um renovado interesse no Islã. Atrás de tudo isto há um impulso visando a purificação do Islã, a fim de permitir o reaparecimento de toda a sua força vital.

É aí que surgem dois perigos que poderíamos chamar de internos, de dentro do círculo religioso: o primeiro é saber se aquele que se esforçou para definir os fundamentos da religião é confiável e o segundo, derivado ou associado àquele, é a possibilidade de uso indevido dos fundamentos mal interpretados para fins que colidem com os próprios fundamentos do Islã. Um terceiro perigo visto de fora do Islã poderá interpretar os dois perigos anteriores de acordo com o seu entendimento ou pior ainda, em relação a seus interesses, estranho ou contrário ao Islã.

O muçulmano deve interpretar corretamente a Sharia e deve aplicá-la na existência individual e coletiva, o que é objeto do Fiqh, o qual como os outros conhecimentos religiosos de caráter não jurídicos, se inspira em quatro grandes fontes: (1) o Corão; (2) a tradição (Sunna) do Profeta definida pelo conjunto dos Hadiths; (3) a (Quiyâs) dedução por analogia no caso de ausência de menção explícita no Corão e na Sunna; e, (4) a Ijmâ’, consenso da comunidade dos crentes a qual segundo os ensinamentos do Profeta “não será jamais unânime no erro”.

O conjunto das regras éticas que derivam da Sharia garantiram durante longos séculos a estabilidade e a harmonia da sociedade muçulmana, estruturando-a e garantindo sua coerência. Essas regras não vieram de convenções sociais e sim de ordem divina.

Deve ser reconhecido que no conjunto do mundo islâmico a Sharia tem sido contestada, especialmente de parte da juventude que, igual à juventude dos continentes, da Europa à America, rejeitam usos antigos e rejeitam toda forma de usos antigos e suportam cada vez menos toda forma de disciplina e de autoridade.

Tanto para esta juventude atual quanto para aqueles que guardam graus de fidelidade às tradições, nem tudo está perdido, muito pelo contrário, porque o abrandamento está previsto na própria Sharia através de Hadith do Profeta quando afirma: “Aquele que no início do Islã negligencia um décimo por cento da Lei estará perdido; mas aquele que, no final, guardará um décimo, será salvo”.

O Corão explica: “A verdadeira piedade não está em voltardes as faces para o Levante ou para o Poente. O homem bom é aquele que crê em Deus”. (Alcorão II:177) Suratu Al-Baqarah).

Depois de todos estes meios de conhecer o Islã vem a pergunta que interessa a este certame que se resume em saber como ficam organizações como por exemplo a Daesh, também chamada ISIS e igualmente EI que diz lutar pelo estabelecimento de um califado islâmico, começando com a Síria e o Iraque?

Ficou muito claro, em tudo o que foi dito até agora, que apesar do abrandamento previsto, não há como justificar as barbaridades que a mencionada organização vem cometendo, os crimes que vem praticando e principalmente usar o nome de Deus para justificar seus atos. O Corão é muito claro a este respeito quando determina: “E quem luta [pela causa de Deus], apenas luta em benefício de si mesmo. Por certo, Deus prescinde de toda a humanidade”. (Alcorão II:177 Suratu Al-Baqarah). A luta a que se refere este versículo é o jihad, traduzido erroneamente por “guerra santa” no Ocidente. Jihad é esforço, luta. Porém levantar bandeiras em nome de Deus e cometer crimes contra a humanidade não é lutar, entrar em jihad em benefício de Deus, é crime que como vimos ao longo do que foi dito, não é aceito pelo Islã.

O espetáculo horripilante de ver dezenas de cristãos sendo levados para serem degolados, simplesmente por serem cristãos, é uma prova, entre as centenas que esta organização criminosa tem fornecido para condená-la por seus crimes contrários ao Islã e suas regras, da Sharia islâmica. Matar cristãos contraria preceitos islâmicos fundamentais, conforme consta do Corão quando estabelece as seguintes regras:

“E não discutais com os seguidores do Livro senão da melhor maneira – exceto com os que, dentre eles, são injustos e dizei: ‘Cremos no que foi descido para nós e no que fora descido para vós; e nosso Deus e vosso Deus é Um só. E para Ele somos submissos’” (Alcorão XXIX:46 Suratu Al-Ankabut). Este versículo é claro: os seguidores do Livro são os cristãos e os judeus e a eles é determinado um tratamento privilegiado, são claramente considerados como se muçulmanos fossem, principalmente quando é dito que Deus, para muçulmanos, cristãos e judeus é um só e todos os três são a Ele submissos. Submisso é a tradução do árabe para muçulmano, o que evidencia que todos pertencem a uma só religião.

O Corão reforça a recomendação do tratamento digno a ser dado aos portadores do Livro (cristãos e judeus) em vários outros versículos. Destacamos mais um versículo que diretamente condena os ditos promotores do pretendido estado islâmico e determina como o muçulmano deve proceder com relação aos portadores do Livro: “E, por certo, há, dentre os seguidores do Livro, os que creem em Deus, e no que fora descido para eles, sendo humildes para com Deus, não vendendo os sinais de Deus por ínfimo preço. Esses terão seu prêmio junto de seu Senhor. Por certo, Deus é destro no ajuste de contas”. Seguindo as regras do Corão, o sangue dos cristãos coptas egípcios, trabalhadores engenheiros cumpridores de seus deveres, clamará por justiça, neste e em qualquer outro mundo e os criminosos receberão sua conta.

Esses criminosos não cumprem o que manda a religião não somente no caso de portadores do Livro e sim com relação a outros muçulmanos, usando o nome de Deus e da Religião. Isto está claro no Corão quando diz: “[…] E não mateis a alma que Deus proibiu matar, exceto se com justa razão. Eis o que ele recomenda para razoardes.” (Alcorão VI:151 Suratu Al-Na’am).

O tal Estado Islâmico cometendo as transgressões que comete contra a Sharia e principalmente aos preceitos do Corão, não está relacionado ao Islã e jamais se poderia dizer que comete “terrorismo religioso”.

O terrorismo religioso não existe, o que é comum através do tempo e do espaço, são atos terroristas usando e abusando da religião.

O Estado Islâmico usa a religião para erroneamente justificar suas ambições e suas ações.

José Farhat

Palestra proferida no Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (IRI-USP) em 27/05/2015 e aqui publicada, em 13/11/2015, em memória dos inocentes mortos vítimas dos assassinos que usam a Religião contrariando as suas próprias regras sagradas.

 

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Assad e seus aliados

O jornal libanês (editado em inglês) The Daily Star relata que “o aguerrido presidente Bashar Assad viajou a Moscou, em sua primeira viagem a exterior desde que o conflito eclodiu em seu país em 2011, para manter conversações importantes com o presidente Vladimir Putin”. A última viagem ao exterior de Assad foi em 2008, também a Moscou.

Qual o significado desta visita? Assad foi agradecer a Putin pelo lançamento de uma campanha de ataques aéreos na Síria, contra os verdadeiros terroristas que assolam terras sírias e iraquianas. O chamado Estado Islâmico é uma organização terrorista e só não entendem esta verdade os Estados Unidos e seus asseclas estrangeiros e árabes que ajudam direta ou indiretamente toda a gama de terroristas que pretendem tomar o poder de Assad, eleito democraticamente pelo povo sírio.

Os dois líderes, reunidos no Kremlin, concordaram que as operações militares serão seguidas por medidas políticas. Compare-se esta atitude com aquela que propõem os Estados Unidos – que se dizem defensores da democracia, ignoram eleições livres e internacionalmente supervisionadas, para apoiar mercenários e vendilhões da pátria que querem ganhar o poder no tapetão sangrento e desumano.

A Rússia surpreendeu principalmente a Estados Unidos e Israel, entre outros, com o tipo de armas que está usando para combater os verdadeiros terroristas que atuam na Síria: Estado Islâmico e outros. O poderio russo demonstrado foi tão comprovadamente eficiente que Estados Unidos e Israel correram para fazer acordos com a Rússia, para que seus aviões não entrassem em batalha contra os rssos. A Rússia disse que está combatendo os terroristas e que se os demais temiam a sua força empregada que se afastassem dos campos de batalha.

Tanto isto é verdade que segundo notícias recebidas do Líbano dão conta de que os aviões de guerra israelenses deixaram de efetuar seus voos provocadores sobre território libanês.

O Irã, um aliado-chave da Síria enviou centenas de tropas para lutar ao lado das forças legais sírias, comandadas por Assad.

O Hizbullah ocupa uma larga faixa dentro da fronteira síria a leste do Líbano, mantendo o território sírio contíguo ao território libanês sob domínio do governo legal da Síria.

Os aliados da Síria legal são poucos, mas valorosos e poderosos: eles têm a legalidade e a justiça a seu lado.

José Farhat

21/10/2015

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