As Guerras Árabe-Israelenses

Estas guerras foram muitas, com episódios de recrudescência animadas pela falta de uma solução aceita pelas partes. Entre as guerras nunca houve paz, e não foi por falta de tentativas de reconciliação. Nestes casos, o problema maior talvez não sejam as reivindicações de lado a lado e sim a falta de isenção dos proponentes.
Vamos às guerras.
Guerra Árabe-Israelense I (1948-1949):
14 de maio de 1948 a 7 de janeiro de 1949. É chamada Guerra da Palestina pelos árabes e Guerra da Independência pelos israelenses.
Contexto: Em novembro de 1947 os Árabes da Palestina rejeitaram o plano de partição das Nações Unidas, objeto da Resolução 181 da Assembleia Geral, que deu aos Judeus, proprietários de 6% da terra, 53,5% de toda a Palestina.
Naquela época a população Árabe contava aproximadamente 1.200.000 pessoas e os Judeus cerca de 650.000.
No início de 1948 os Britânicos avançaram sua data de partida para 15 de maio em vez da de 1 de outubro, especificada pela ONU.
No dia anterior, em 14 de maio, o Conselho Nacional Judeu, pela unanimidade de seus 13 membros, na véspera da saída dos Britânicos, declarou o estabelecimento de Israel.
A Liga dos Estados Árabe, sem demora, adotou a resolução de, através de seus membros: Egito, Iraque, Jordânia, Líbano e Síria, juntamente com os cobatentes Árabe Palestinos, atacar Israel. O Rei Abdallah ibn Hussein foi nomeado comandante geral dessas forças.
Forças opostas: Os 26.000 combatentes árabes compreendiam 7.000 egípcios; 4.000 iraquianos; 5.000 jordanianos; 2.000 libaneses; 4.000 combatentes irregulares palestinos; e, 4.000 sírios. Entre estes só a Legião Árabe da Jordânia, sob o comando do General britânico John Glubb poderia ser considerada de formação militar Professional. Os libaneses e os sírios eram considerados milícias territoriais. As forças egípcias e iraquianas eram pessimamente equipadas com armas ultrapassadas, de origem britânica. Ao final da primeira fase da guerra, em meados de junho, as tropas árabes já tinham crescido para 35.000.
A força israelense era composta por 30.000 combatentes altamente bem treinados, oriundos da Haganah (uma organização terrorista), dois terços dos quais veteranos da II Guerra Mundial, apoiados por 32.000 reservistas, mais 15.000 policiais dos assentamentos e 32.000 guardas imobiliários. Ao final da primeira fase da guerra, em meados de junho de 1948, a força combatente israelense havia dobrado para 60.000.
Eventos: O conflito armado começou em 14 de maio de 1948 e prosseguiu em quatro fases, durante 4 meses.
Na primeira fase, de 14 de maio a 11 de junho de 1948, as forças sírias e libanesas mais irregulares palestinos, conquistaram a maior parte central do norte da Galiléia. No setor central a Legião Árabe da Jordânia ocupou a quase totalidade do sul e do leste de Jerusalém, incluindo toda a Cidade Velha e a rodovia Jerusalém -Tel Aviv. No setor sul o exército egípcio ajudou os palestinos irregulares a ocuparem Gaza e depois Ashdod. Outra coluna egípcia tomou Birshaba e Hebron e estabeleceu contato com a Legião Árabe em Belém. A ONU impôs um cessar-fogo em 11 de junho.
Na segunda fase, de 9 a 18 de junho de 1948, no setor norte, os israelenses se espalharam em volta de Haifa. No centro capturaram Lida, Ramle e o aeroporto da vizinhança.O segundo cessar-fogo da ONU entrou em vigor em 18 de julho e durou até 15 de outubro, exceto na região sul. Ao final desta trégua as forças israelenses já contavam com 90.000 combatentes.
Na terceira fase, de 15 de outubro a 6 de novembro de 1948, os israelenses capturaram o vale de Hula e ocuparam uma faixa na fronteira com o Líbano. No centro, eles alargaram o eixo Tel Aviv – Jerusalém. Ao capturarem Birshaba dos egípcios, no sul, eles separaram as forças egípcias entre Hebron e Faluja e obrigaram os egípcios a evacuar Ashdod e Majdal consolidando assim suas posições da região de Gaza – Asluj. A trégua da ONU entrou em efeito, na fronte sul, em 6 de novembro e no norte e no centro, as tréguas só entraram em vigor em 30 de novembro.
Na quarta fase, de 21 de novembro de 1948 a 7 de janeiro de 1949, os egípcios inicialmente alargaram sua área em volta de Gaza e Asluj, mas logo em seguida a situação egípcia se deteriorou. A trégua final, na região sul, entre eles e os israelenses entrou em vigor em 7 de janeiro. Pouco antes, no dia 1 de dezembro de 1948, cerca de 2.000 delegados árabes palestinos, reunidos em Jericó, proclamaram Abdallah ibn Hussein “Rei de toda a Palestina”, o que significava a maior parte daquilo que fosse possível salvar da ocupação israelense.
Perdas Humanas: Árabes Palestinos: 16.000 mortos, incluindo as mortes entre janeiro e meados de maio de 1948 e 14.000 feridos. Outros árabes: 2.500 mortos. Judeus: 6.000 mortos.
Acordos de Armistício: Dando seguimento às negociações realizadas pelos participantes da guerra, realizadas na ilha grega de Rodes, Israel concluiu acordos de armistício com o Egito, em 24 de fevereiro de 1949, Líbano em 23 de março de 1949, Jordânia em 3 de abril de 1949, e Síria em 20 de julho de 1949. O Iraque, que não tinha fronteiras comuns com Israel, não assinou qualquer acordo cm Israel.
Estes acordos dividiram o território alocado pela Assembleia Geral da ONU,aos árabes na Palestina (medindo 27.026 km²) entre o Egito, Israel e Jordânia. O Egito reteve controle da faixa de Gaza (378 km²) como território de administração egípcia. Como Israel ganhou mais 5.750 km² acima dos 14.500 km² alocados pelo plano de partilha da AG da ONU, os israelenses simplesmente anexaram este território. Com isto, os judeus, que formavam pouco menos de um terço da população da Palestina, na véspera da guerra, ficaram com 75% da terra. Como o Rei Abdallah ganhou 5.949 km², ele simplesmente os anexou à Jordânia, sujeito a um arranjo final. Jerusalém, que tinha sido reservada para administração internacional, foi dividida e anexada por Israel e Jordânia; ficando o país árabe com 6,5 km². Quanto a Síria e Líbano, suas fronteiras internacionais ficaram sendo aquelas que o armistício determinou como fronteiras da Palestina.

Pesquisa feita por
José Farhat

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Sobre José FARHAT

Formado em Ciências Políticas (USJ-Beirute) e Propaganda e Marketing (ESPM-São Paulo), tem cursos de extensão ou pós-graduação em: Comércio Exterior (FGV-São Paulo), Introdução à Teoria Política (PUC-São Paulo), Direito Internacional (PUC-SP) e cursou Filosofia no Collège Patriarcal Grec-Catholique (CPGC-Beirute). Domina os idiomas: Árabe, Francês, Inglês e Português e tem artigos publicados sobre Política Internacional, no Brasil e no Líbano. É ex-Diretor Executivo e atual Conselheiro do Conselho Superior de Administração da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira; foi Superintendente de Relações Internacionais da Federação do Comércio do Estado de São Paulo e é seu atual membro do Conselho de Comércio Exterior e atual Diretor do Centro do Comércio do Estado de São Paulo. É ex-Presidente e atual Diretor de Relações Internacionais do Instituto da Cultura Árabe.
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