Como a II Guerra se tornou Mundial

         No simpósio IMPERIALISMO E GUERRA – 1914-2014: 100 anos da I Guerra Mundial, na Faculdade de Filosofia ciências e Letras da Universidade de São Paulo, falei sobre “Guerra Infinita”, Terrorismo e Estado de exceção e, ao sugerir a divisão do século da Guerra em quatro etapas: 1914-1918 I Guerra Mundial, 1939-1945 II Guerra Mundial, 1945-1991 Guerra Fria e Descolonização e 1919-2014 Separatismos e Terrorismo, mencionei, na segunda etapa o ataque de Pearl Harbor.

        A II Guerra Mundial foi uma guerra total, com combates planetários e também o cúmulo do conflito clausewitziano já que pela última vez os Estados se declararam em guerra. Ela opôs o Eixo – Alemanha, Itália e Japão aos Aliados – França, Reino Unido União Soviética e Estados Unidos (a partir de 1941).

        Ela começou por conflitos regionais – guerra da Espanha, guerra sino-japonesa, campanha da Polônia – tornando-se em seguida mundial com o ataque do Japão contra os Estados Unidos em Pearl Harbor.

        Enquanto as forças estadunidenses curtiam a beleza de Pearl Harbor, na ilha de Oahu, em Hawaii, na base da Marinha, numa manhã de domingo, dia entregues ao lazer, ao dolce far niente com tudo pago pelo contribuinte estadunidense, o Japão não dormia e procurava realizar seus sonhos de grandeza. O ataque japonês começou bem cedinho, quase ainda madrugada, no dia 7 de dezembro de 1941.

        O ataque precipitou a entrada dos Estados Unidos, ao lado dos Aliados e foi o clímax de uma década de relações nipo-estadunidenses cada vez mais tensas.

        O governo dos Estados Unidos estava preocupado e receoso com o comportamento imperial agressivo japonês que ameaçava as próprias pretensões estadunidenses de domínio total e exclusivo de toda a área do Pacífico.

        O Japão já havia invadido a China em 1937 e, ao aliar-se ao Eixo germano-italiano, em julho de 1941, atacou a colônia francesa da Indochina que acabou resultando numa movimentação estadunidense congelando imediatamente, no mesmo mês, os ativos japoneses em território estadunidense e declarando embargo aos embarques de petróleo e outros materiais vitais para os projetos belicosos japoneses. Tanto é que lá pelo final de 1941 os Estados Unidos haviam fechado todas as portas comerciais e financeiras ao Japão. Não obstante, os japoneses continuaram a negociar com os Estados Unidos até o dia anterior ao ataque de Pearl Harbor. O Japão queria prolongar ao máximo as negociações com os Estados Unidos, mas o governo do Primeiro-Ministro Tojo Hideki (1884-1948) já havia tomado a decisão de ir à guerra e todo o resto de suas ações não passavam de manobras para desviar a atenção estadunidense de sua pretensão.

        O almirante Isoruku Yamamoto (1884-19430), comandante-chefe da Frota Conjunta japonesa foi o planejador da ação para atacar a frota estadunidense no Pacífico a qual, uma vez fora de ação, o caminha estaria aberto para que o Japão conquistasse o sudeste da Ásia e o arquipélago da Indonésia. O executor do plano foi o vice-almirante Chuichi Nagumo (1887-1944) no comando de uma frota composta, segundo várias fontes: de: 6 porta-aviões, 2 encouraçados, 3 cruzadores e 11 contratorpedeiros. A frota de Nagumo já estava posicionada a 440 km ao norte de Hawaii, de onde 360 aviões atacaram Pearl Harbor.

        Diversas fontes afirmam que as autoridades militares estadunidenses suspeitavam de que o Japão iria atacar, mas não sabiam onde. Perguntamos, mais uma vez, onde estavam os serviços secretos estadunidenses que não pesquisaram ou já sereia o prenuncio das ineficiências que a CIA – Central Intelligence Agency iria demonstrar através dos tempos.

        A situação tornou-se tão grave a ponto de se chegar a acusar o presidente Franklin Delano Roosevelt (1882-1945) de haver facilitado, pela omissão, a realização do ataque pelos japoneses, a fim de poder influenciar o Congresso a declarar a guerra ao Japão e, de roldão, à Alemanha e à Itália. Investigada, a acusação contra Roosevelt não passava de uma tentativa de difamação, engendrada por seus inimigos políticos. A mentira não durou muito e ele seria considerado um herói e um promotor da guerra sem trégua, até a vitória aliada final, sobre o nazismo alemão e o imperialismo japonês.

        É por estas razões que a II Guerra passou a ser Mundial; foi  com o ataque a Pear Harbor.

José Farhat
07/12/2014

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Sobre José FARHAT

Formado em Ciências Políticas (USJ-Beirute) e Propaganda e Marketing (ESPM-São Paulo), tem cursos de extensão ou pós-graduação em: Comércio Exterior (FGV-São Paulo), Introdução à Teoria Política (PUC-São Paulo), Direito Internacional (PUC-SP) e cursou Filosofia no Collège Patriarcal Grec-Catholique (CPGC-Beirute). Domina os idiomas: Árabe, Francês, Inglês e Português e tem artigos publicados sobre Política Internacional, no Brasil e no Líbano. É ex-Diretor Executivo e atual Conselheiro do Conselho Superior de Administração da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira; foi Superintendente de Relações Internacionais da Federação do Comércio do Estado de São Paulo e é seu atual membro do Conselho de Comércio Exterior e atual Diretor do Centro do Comércio do Estado de São Paulo. É ex-Presidente e atual Diretor de Relações Internacionais do Instituto da Cultura Árabe.
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