Shlomo Sand e a realidade da terra palestina

               Sempre que discuto a questão palestina ou comento um fato sempre condenável de seus algozes, os sionistas vem à minha mente o livro de Shlomo Sand “Como o povo judeu foi inventado”.

               Recomendo o livro e, sobretudo, que comecem desde o começo, é óbvio, quando Shlomo Sand faz duas citações.

               A primeira, de Karl W. Deutsch, no livro “O nacionalismo e suas alternativas” que diz: “Uma nação […] é um grupo de pessoas unidas por um erro comum sobre seus antepassados e uma aversão comum em face de seus vizinhos.” O que é indiscutivelmente bem escolhido em se tratando de um livro onde Sand contesta a existência atual e a origem de tudo aquilo que resultou no crime contra os palestinos. Não adianta pintar o quadro palestino com cores vivas e traços bem coordenados, pois a realidade são as injustiças que assistimos não falha dia, nos últimos seis e poucos decênios cometidas pelos sionistas contra os palestinos.

               Já a segunda citação, é de Ernest Gellner, em seu livro “Resposta aos críticos” que lembra, por semelhança, exatamente um palestino destituído de seus bens e seus sonhos e aqueles que os apoiam, na busca do restabelecimento do Direito e da Justiça. Hoje fui chamado de racista por um desconhecido devido a comentário meu no qual afirmei que o fundamentalismo é criticável qualquer que seja a religião da qual deriva. Voltemos a Gellner que escreveu: “Não penso que eu poderia ter escrito o livro que escrevi sobre nacionalismo se eu não fosse capaz de chorar, com a ajuda de um pouco de álcool, escutando cantos folclóricos […]” Bem, isto porque um canto folclórico brasileiro ou palestino sempre enche meus olhos de lágrimas, pelas mesmas razões, em ambientações e condições diferentes.

               Há do livro uma edição em português e a editora Elvira diz, apresentando a obra: “Neste livro ao questionar a identidade dos judeus como nação, o autor sugere as bases para uma nova visão do futuro político da ‘Terra Prometida’. O autor questiona o discurso historiográfico canônico e formula a tese de que os judeus sempre formaram comunidades religiosas em diversas regiões do mundo, mas não constituem uma nação portadora de uma origem única. Para o autor Israel deveria reconhecer seus habitantes, sejam eles israelenses ou palestinos.”

               Tenho discutido sem trégua, e por esta razão tenho sido criticado quando trato do assunto de forma abrangente, questionando as bases principais que os sionistas usam para justificar a criação de Israel, ou seja: 1- a promessa bíblica a Abraão; 2- a partilha do território palestino pelas Nações Unidas; e, 3- a declaração do governo britânico, assinada por Lorde Balfour.

               A pior situação é quando os sionistas dizem e repetem para justificar os ataques contra organizações ou indivíduos palestinos: ”Israel tem o direito de se defender”, o que seria justo se não tivessem eles, os sionistas, vindo de outras partes do mundo, onde formavam comunidades religiosas, geralmente em guetos que se apresentavam de várias formas, para desterrar o povo palestino que lá estava e que hoje clama por Justiça, pela posse daquilo que lhe pertence.

José Farhat

10/08/2014

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Sobre José FARHAT

Formado em Ciências Políticas (USJ-Beirute) e Propaganda e Marketing (ESPM-São Paulo), tem cursos de extensão ou pós-graduação em: Comércio Exterior (FGV-São Paulo), Introdução à Teoria Política (PUC-São Paulo), Direito Internacional (PUC-SP) e cursou Filosofia no Collège Patriarcal Grec-Catholique (CPGC-Beirute). Domina os idiomas: Árabe, Francês, Inglês e Português e tem artigos publicados sobre Política Internacional, no Brasil e no Líbano. É ex-Diretor Executivo e atual Conselheiro do Conselho Superior de Administração da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira; foi Superintendente de Relações Internacionais da Federação do Comércio do Estado de São Paulo e é seu atual membro do Conselho de Comércio Exterior e atual Diretor do Centro do Comércio do Estado de São Paulo. É ex-Presidente e atual Diretor de Relações Internacionais do Instituto da Cultura Árabe.
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