Israel o cão e o gato

            Na edição de 26/01/1014 do jornal The Times of Israel, o jornalista israelense Raphael Ahren, já anunciava que o Primeiro-Ministro israelense quer deixar que todos os assentados continuem na Cisjordânia. Parece estranho, mas não é. Isto porque, como explica Ahren, “Netanyahu não forçará qualquer judeu naquilo que pode se tornar ‘Palestina’ a sair [de lá] e insistirá para eles tenham a opção de continuar onde eles estão sob um acordo de paz”.

            O mesmo jornal The Times of Israel, na edição de 31/01/14, abre manchete: “Israel: Netanyahu e Bennett, como cão e gato” e explica a qualificação de animais, domésticos ou selvagens.

           O jornal noticia que Benyamin Netanyahu lembrava semana passada, na cúpula de Davos não ter ele “a intenção de desmantelar nenhuma colônia, nem de desenraizar qualquer israelense” no quadro de um acordo de paz. O Primeiro-Ministro israelense previu, no entanto que as ‘implantações’ sejam colocadas sob a soberania palestina e que a escolha de lá ficarem seja de atribuição dos colonos.

          É sumamente óbvio que o campo palestino não aceita – o presidente da Autoridade Palestina Mahmoud Abbas rejeitou categoricamente, desde a abertura das negociações, em julho de 2013 – a presença de israelenses num Estado palestino. Não só Abbas, mas ninguém no campo dos árabes espoliados de seus direitos e de seus sonhos abaixa a cabeceira como carneiro tangido por povos que vieram de outros rincões para privá-los principalmente de sua dignidade. Não se quer na Palestina, dentro de casa, o estabelecimento de uma ‘quinta coluna’.

          Cão e gato para The Times of Israel são Netanyahu de um lado e do outro Naftali Bennett, ministro da economia e chefe do partido nacionalista religioso Habayat Hayehudi (Lar Judeu). Para Bennett, segundo declaração sua ao canal Arutz Sheva: “Deixar os judeus em baixo de soberania estrangeira é contrário à ideia do sionismo. […] As gerações futuras não perdoarão aos dirigentes [de hoje] ceder nossas terras e dividir nossa capital”. Cinismo puro deste ‘cão’ ou ‘gato’, pouco importa. A pergunta que ecoa como um trovão é quanto esses safados pagaram pelas terras que dizem lhes pertencer ou vamos então voltar a discutir as fraudes na qual baseiam a própria grilagem da terra e o estabelecimento do estado patife de Israel que eles não cansam de mencionar e aqueles que têm cabeças em cima dos ombros argumentam serem falácias, a começar por quererem legalizar a posse das terras e o estabelecimento do Estado como uma doação bíblica.

        Quanto à expressão “dividir a nossa capital” chega a ser risível não fora trágica. A mesma recomendação da ONU que doou mais de 50% da Palestina para os judeus que vieram de longe, também dividiu Jerusalém, mas Bennett e seus asseclas simplesmente argumentam a favor das divisões, enquanto ocupam tudo e consideram que o tudo lhes pertence assim mesmo. A mulher do piolho da fábula se envergonharia da argumentação equivocada.

        Enquanto “cão” e “gato” lutam entre si a luta continua dos palestinos continua e só cessará quando Netanyahu, Bennett et caterva engolirem uns aos outros.

        Um dia nos encontraremos em Jerusalém liberta!

José Farhat

07/02/2014

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Sobre José FARHAT

Formado em Ciências Políticas (USJ-Beirute) e Propaganda e Marketing (ESPM-São Paulo), tem cursos de extensão ou pós-graduação em: Comércio Exterior (FGV-São Paulo), Introdução à Teoria Política (PUC-São Paulo), Direito Internacional (PUC-SP) e cursou Filosofia no Collège Patriarcal Grec-Catholique (CPGC-Beirute). Domina os idiomas: Árabe, Francês, Inglês e Português e tem artigos publicados sobre Política Internacional, no Brasil e no Líbano. É ex-Diretor Executivo e atual Conselheiro do Conselho Superior de Administração da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira; foi Superintendente de Relações Internacionais da Federação do Comércio do Estado de São Paulo e é seu atual membro do Conselho de Comércio Exterior e atual Diretor do Centro do Comércio do Estado de São Paulo. É ex-Presidente e atual Diretor de Relações Internacionais do Instituto da Cultura Árabe.
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