Tirem as mãos sujas do Líbano

            O Tribunal Especial para o Líbano, quem diria, volta a mostrar serviço neste janeiro de 2014.

O Tribunal Especial para o Líbano foi criado tendenciosamente, como os fatos estão comprovando, com o objetivo de inculpar a Síria, o Irã e o Hizbullah pela morte de Rafic Hariri.

A primeira prova disto é que foram poupados os aliados dos Estados Unidos e do estado sionista das investigações.

A segunda evidência é o fato de ter havido suborno a testemunhas que acabaram confessando o recebimento de dinheiro e o caso foi abafado.

Há ainda o fato de o Tribunal Especial estar fugindo de aplicar o direito que tem o General libanês que ficou preso durante quatro anos sem saber com base em quais documentos ou provas ele foi preso, e depois liberado.

Se não bastasse, ficaram também presos por igual período outros quatro oficiais sírios e passados anos também foram soltos da mesma forma que o general libanês.

Outra ainda foi o fato de Saad Hariri fugir para o exterior em visitas fora de hora a fim de continuar recusando ou adiando a convocação de uma reunião ministerial para exatamente discutir as investigações do TEL, isto enquanto chefiava o governo e assim continua até hoje alegando questões de segurança para justificar sua fuga covarde diante da verdade dos fatos.

Tudo isto culmina com o fato de além existirem perguntas sem resposta a respeito do assassinato de Hariri há também ausência de justiça em outros assassinatos políticos no Líbano, entre os quais a morte do antigo Primeiro-Ministro Rashid Karami, do Presidente René Moawad ou do Presidente eleito Bashir Gemayel e Kamal Jumblatt. Deve ser adicionada a vergonhosa, covarde e desumana atrocidade cometida pelo Kataeb diretamente assistidos pelas forças armadas do estado sionista contra crianças, mulheres e idosos desarmados no campo de refugiados de Sabra e Shatila. Há também o sofrimento pelas atrocidades de Damour, Tell Al-Zaatar e Karantina. Alguns dos atentados acima tiveram direta ou indiretamente a participação das mãos sujas da CIA e do Mossad.

O Tribunal, fiel a sua safadeza e leal a seus componentes que se locupletam à custa dos exíguos recursos to Tesouro Libanês abocanhando dólares às centenas de milhões, da mesma forma, anos depois, acusou membros do Hizbullah, não terminou ainda de estudar as provas contraditórias apresentadas pelo Partido, mas continuam o julgamento para, daqui a meia dúzia de anos eximi-los de culpa, sem o menor peso de vergonha enquanto a corda continuará no sobe e desce do poço da corrupção, sem trazer a água pura que se pretende retirar.

É por esta e outras razões que sobre o Líbano pesam outros assassinatos políticos tão ou mais importantes que o de Hariri e fica chocado por não ver a justiça surgir para lavar o sangue derramado, sangue comprovadamente inocente como é o caso de Sabra e Shatila.

O Líbano não esquece o que deve a Rafic Hariri, um homem de ação cuja lembrança viverá para sempre pela reconstrução de cidades libanesas destruídas durante a última Guerra Civil.

Não houve anjinhos e diabos na Guerra Civil libanesa, mas o Líbano só está conseguindo curar suas feridas com muito sacrifício e não fora a ação dos inimigos do Líbano, internos e externos, já estaria o País dos Cedros recomposto seu brilho e sua felicidade.

O que foi a ação sionista contra o Líbano, em 2006, preparada com meses de antecedência a não ser uma destas tentativas?

A Justiça tem que ser estabelecida no Líbano e os crimes não começaram em 2005 e a instalação do Tribunal Especial nada mais é que outra tentativa de manter o Líbano desestabilizado e pressiona para benefício de seus inimigos.

Tirem as mãos sujas do Líbano, os libaneses sabem se cuidar!

José FARHAT

Atualização de artigo de 11/01/2011

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Sobre José FARHAT

Formado em Ciências Políticas (USJ-Beirute) e Propaganda e Marketing (ESPM-São Paulo), tem cursos de extensão ou pós-graduação em: Comércio Exterior (FGV-São Paulo), Introdução à Teoria Política (PUC-São Paulo), Direito Internacional (PUC-SP) e cursou Filosofia no Collège Patriarcal Grec-Catholique (CPGC-Beirute). Domina os idiomas: Árabe, Francês, Inglês e Português e tem artigos publicados sobre Política Internacional, no Brasil e no Líbano. É ex-Diretor Executivo e atual Conselheiro do Conselho Superior de Administração da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira; foi Superintendente de Relações Internacionais da Federação do Comércio do Estado de São Paulo e é seu atual membro do Conselho de Comércio Exterior e atual Diretor do Centro do Comércio do Estado de São Paulo. É ex-Presidente e atual Diretor de Relações Internacionais do Instituto da Cultura Árabe.
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