Eisenhower e Nasser

Alguém já pensou na semelhança entre Dwight David Eisenhower (1890-1969) e Gamal Abdul Nasser Hussein (1918-1970)?  Não se assustem; é que apenas usaram as mesmas armas e ambos estão mortos.

No mais, o primeiro foi presidente dos Estados Unidos de 1953 a 1961 e o segundo foi presidente do Egito de 1958 a 1970 (e da Republica Árabe Unida [Egito e Síria], no curto tempo de sua duração). Ambos militares, Eisenhower foi general de quatro estrelas e Nasser não passou de coronel em sua vida militar.

O governo dos Estados Unidos e o do Reino Unido, para pressionar o governo do presidente Nasser, obrigaram o Banco Mundial a retirar o financiamento destinado à construção da Grande Represa de Assuan.

Uma semana depois, para recompensar a humilhação ao povo egípcio, Nasser nacionalizou o Canal e criou a Autoridade Egípcia do Canal, para administrar a rota marítima, no lugar da Compagnie Universelle Du Canal Maritime de Suez (1888-1956), sediada em Paris, e conjuntamente pertencente aos dois: França e Reino Unido.

Isto também terminou com a ocupação britânica dos cerca de 8.000 km2 que ladeiam o Canal.

A compensação à USMCC (sigla da companhia em inglês) foi conduzida através do Banco Mundial.  Durante o debate do assunto no Conselho de Segurança das Nações Unidas, o Egito concordou com os princípios negociados de administração do Canal e sua manutenção como via marítima internacional.

Em acordo anglo-franco-sionista (Reino Unido, França e Israel) secretamente assinado em 24 de outubro de 1956, foi decidida a invasão da Península de Sinai e da Zona do Canal e, cinco dias depois, a violência tríplice já estava em marcha.

Eisenhower, recém-eleito, usou da arma mais eficiente que tinha à mão: o dinheiro.  Ordenou ao Federal Reserve que vendesse seu estoque de libras esterlinas nos mercados internacionais e que toda ajuda de toda e qualquer natureza, ao estado sionista, fosse suspensa.  A invasão terminou num abrir e fechar de olhos, como um raio.

Economia e finanças foram as armas de Nasser e de Eisenhower.

Por falar em “raio”, será que o Barack Hussein Obama (Barack significa raio, em árabe) não teria aprendido, em seus anos de escola, a lição de Eisenhower?  Isto porque há certas movimentações até pouco tempo impensáveis no Oriente Médio, com as decisões das quais participaram Estados Unidos e Rússia, relativas à Síria e o Irã. O futuro próximo nos dirá.

Para jogar água no arroubo israelense, não teria chegado a hora de também Obama fazer o mesmo que Eisenhower e cortar ajudas e apoios?

José Farhat

02/01/2014

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Sobre José FARHAT

Formado em Ciências Políticas (USJ-Beirute) e Propaganda e Marketing (ESPM-São Paulo), tem cursos de extensão ou pós-graduação em: Comércio Exterior (FGV-São Paulo), Introdução à Teoria Política (PUC-São Paulo), Direito Internacional (PUC-SP) e cursou Filosofia no Collège Patriarcal Grec-Catholique (CPGC-Beirute). Domina os idiomas: Árabe, Francês, Inglês e Português e tem artigos publicados sobre Política Internacional, no Brasil e no Líbano. É ex-Diretor Executivo e atual Conselheiro do Conselho Superior de Administração da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira; foi Superintendente de Relações Internacionais da Federação do Comércio do Estado de São Paulo e é seu atual membro do Conselho de Comércio Exterior e atual Diretor do Centro do Comércio do Estado de São Paulo. É ex-Presidente e atual Diretor de Relações Internacionais do Instituto da Cultura Árabe.
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