Ignorância que domina o mundo

Em post recente publicado em seu blog, o jornalista Gustavo Chacra escreveu uma matéria intitulada: Para os conservadores republicanos uma rara qualidade de Obama é ser monoglota. Sendo esta uma verdade, o artigo nos leva a considerar o perigo que representa a ignorância dos dirigentes e gente do povo dos Estados Unidos.

Qualquer pessoa entre brasileiros, iranianos, japoneses ou eslovenos sabem onde fica Paris, mas para os caipiras estadunidenses, Paris fica no estado do Texas, Brazil fica em Indiana, quanto e Rome fica na Georgia, em Illinois ou em New York, mas nunca na Itália. A Itália é pequena e fica em New York.

Com toda essa ignorância, querem dominar o mundo para garantir a gastança de petróleo para uso inadequado de um bem finito.

O estadunidense médio, ignorante, tem medo do saber e é por isto que desdenham quem conhece uma língua estrangeira.

Pesquisas recentes indicam 46% dos estadunidenses acreditam que Barack Obama é muçulmano e, entre os membros do partido republicano, 27% duvidam que ele seja cidadão estadunidense, enquanto 50% dentre eles acredita piamente que foi ele quem deu bilhões de dólares aos bancos e às grandes companhias de seguro, mas a verdade é que quem o fez foi George Bush e isto aconteceu tão recentemente quanto 2008.

Retivemos os dados de um artigo de 18 de novembro de 2003 do Strategic Task Force on Education Abroad advertindo que a falta de conhecimento do mundo pelos estadunidenses representa uma responsabilidade nacional na guerra contra o terrorismo. Prossegue a NAFSA no artigo: “Securing America’s Future for a Global Age” indicando recomendações concretas para os governos, federal e estaduais, às instituições de ensino superior e aos setores privados para que encarem o problema com seriedade. O NAFSA recomenda principalmente o envio de estudantes estadunidenses para o exterior para aprenderem o que os estrangeiros sabem e a facilitação de vinda de estudantes estrangeiros para as instituições de estudo superior para que os estudantes estadunidenses abram suas cabeças para novos horizontes.

Será que a ignorância tem a ver com a confusão que causa morte de aliados numa guerra tomados por inimigos? Com tanta incultura grosseira, seriam eles capazes de distinguir um aliado paquistanês de um inimigo afegão? A segurança nacional deles está certamente comprometida com toda a instrução precária de sua gente. Como confiar num soldado provindo de um povo do qual 37% não podem encontrar os Estados Unidos num globo terrestre, do qual 30% não sabem qual o oceano que banha sua costa leste, 80% não imaginam onde fica o Iraque, país onde 33% ainda acham que foram encontradas armas de destruição massiva. Somente 49% deles sabem que foi seu pais o primeiro a usar bombas nucleares e, é de chorar, 77% ignoram que George Washington foi seu primeiro presidente e tem mais, 55% estão convencidos que o cristianismo foi estabelecido como religião de Estado pela Constituição estadunidense enquanto que ao contrário ela á baseada sobre a separação da Igreja do Estado.

A lista é extensa, cansativa e triste.

Se os sucessivos governos dos Estados Unidos deixassem de lado a mentalidade do meio oeste e fossem mais civilizados, se comportariam como os maiores compradores de petróleo no mundo, como de fato o são e como tais têm infinito poder de barganha na compra e não precisam de guerras como as do Iraque e do Afeganistão ou de incentivar Israel a atacar o Irã para garantir seu suprimento de petróleo. Os países produtores e exportadores de petróleo certamente tratariam os Estados Unidos como compradores privilegiados e ninguém deles estaria necessitando de gastos com defesa e programas nucleares ocultos. Se assim é, os Estados Unidos não precisam criar problemas de segurança em toda a face do planeta somente para comprar petróleo, eles simplesmente se sentariam em Wall Street (enquanto não for tomada) e aguardariam os países produtores desesperados e concorrentes chegarem até eles oferecendo seu petróleo e, burros dos burros, se o vendedor de uma mercadoria vem vender, o maior comprador dos compradores está por cima, e tem poder de barganha. Não é assim que funciona o capitalismo, dirão alguns, talvez sim, talvez não, não importa esta é a regra máxima do “compra e vende”.

Falta apenas repisar um tema: tais ignorantes detêm armas nucleares e há gente que diz que o Irã não pode tê-las porque são ignorantes e, desta forma, não precisariam arruinar suas finanças.

José FARHAT

São Paulo, 25/01/2012

 

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Sobre José FARHAT

Formado em Ciências Políticas (USJ-Beirute) e Propaganda e Marketing (ESPM-São Paulo), tem cursos de extensão ou pós-graduação em: Comércio Exterior (FGV-São Paulo), Introdução à Teoria Política (PUC-São Paulo), Direito Internacional (PUC-SP) e cursou Filosofia no Collège Patriarcal Grec-Catholique (CPGC-Beirute). Domina os idiomas: Árabe, Francês, Inglês e Português e tem artigos publicados sobre Política Internacional, no Brasil e no Líbano. É ex-Diretor Executivo e atual Conselheiro do Conselho Superior de Administração da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira; foi Superintendente de Relações Internacionais da Federação do Comércio do Estado de São Paulo e é seu atual membro do Conselho de Comércio Exterior e atual Diretor do Centro do Comércio do Estado de São Paulo. É ex-Presidente e atual Diretor de Relações Internacionais do Instituto da Cultura Árabe.
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