Mais morte e outras mortes

por José Farhat

Não sou a favor de assassinato cometido por indivíduos ou por estados com fins políticos. Não sou a favor de assassinato nenhum, tanto é que assim considero a pena de morte. Por isto, não aprovo o assassinato cometido por desconhecido contra cinco sionistas e não aprovo todos os assassinatos cometidos por Israel contra árabes em geral e palestinos em particular, tanto em território palestino quanto em outros lugares.

Sabemos qual o móvel israelense para tais agressões e, do lado palestino, um relatório das Nações Unidas concluiu, em fevereiro de 2008, que o terrorismo palestino é resultado inevitável da ocupação israelense e do colonialismo e condições de apartheid.

Em artigo publicado no New York Times de 04/04/2009, o Professor George Bisharat vai além ao atribuir a estes fatos as razões pelas quais vários países não consideram violência contra uma ocupação militar estrangeira como terrorismo e, por isto, consideram o Hamas como um grupo de resistência. É Israel quem, em violação a Resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas e de Leis Internacionais, ilegalmente ocupa a Palestina e partes da Síria e do Líbano.

Tenho apontado continuamente esta desobediência às Resoluções das Nações Unidas e às Convenções de Genebra e não sou o único e nem tampouco o é o Professor Bisharat a considerar Israel transgressor.

Basta apontar como exemplo a Resolução 242 do Conselho de Segurança que apela para Israel terminar com tais ocupações para se constatar de um lado a unanimidade no reconhecimento de sua justiça e ser esta e as outras desobediências de Israel o motivo pelo qual 57 países, o que corresponde a um terço dos membros da ONU, não reconhecem o ocupante da Palestina e partes da Síria e do Líbano.

Além disto, os assentamentos judeus em territórios árabes ocupados constituem uma violação flagrante à IV Convenção de Genebra que proíbe a qualquer potência ocupante a transferência de qualquer parte de sua população civil para territórios ocupados pela força.

Também tenho apontado constantemente o fato de a Liga dos Estados Árabes há anos ter proposto um plano justo de paz e normalização das relações com Israel em troca da obediência deste às leis internacionais e da desocupação ilegal de terras árabes. Este plano está aberto à discussão e foi entregue pessoalmente pelo Secretário Geral da Liga dos Estados Árabes e pelo Ministro das Relações Exteriores do Egito em mãos do Ministro das Relações Exteriores de Israel. Lamentavelmente, a este respeito como a toda iniciativa séria de paz, Israel nem ao menos respondeu.

Será que Israel quer continuar não dando a mínima importância à paz e continuar ocupando terras árabes roubadas e lá construindo assentamentos ilegais para, em provocando o mundo, querer provar que o crime compensa?

Talvez também seja para que Benjamin Netanyahu não perca a chance de bancar a vítima e, segundo o The Guardian de hoje, domingo 13/03/2011, faça um apelo ao mundo por atuação e condenação internacional pela morte de cinco membros de uma família de assentados na Cisjordânia.

Com toda seriedade e sinceridade, ou Netanyahu acha que os terráqueos são uns idiotas ou quer simplesmente desviar a atenção do fracasso que tem sido o seu governo e o seu país como um todo.

Não é por menos que o Haaretz destaca na edição de domingo 13/02/2011: “Israel não pode mais fingir que não existe um conflito no Oriente Médio” e adita “A coordenação de segurança entre Israel e a Autoridade Palestina, que contribuiu muito para a relativa calma dos anos recentes, está agora em crise”.

No artigo do Haaretz, Aluf Benn descreve muito bem o motivo da ocorrência quando escreve: “O assassinato da família Fogel trouxe um fim à calmaria que Israel apreciou durante os últimos dois anos. O terrorismo palestino golpeou novamente, no ponto mais sensível da Cisjordânia: a mãe de todos os mais isolados assentamentos, no alto sobre Nablus, com seus radicais habitantes infames por suas relações violentas com seus vizinhos palestinos. Nenhum lugar é mais emblemático em conflito e fricção nos territórios que Itamar”.

Sabemos qual o problema entre Israel e Palestina, por si gerador de conflitos; o que não sabemos é qual o móvel do assassinato cometido por um palestino qualquer, se palestino foi o autor, contra uma determinada família. Com certeza se pode dizer que o ocorrido teve antecedentes e, na procura dos culpados, todos devem ser investigados.

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Sobre José FARHAT

Formado em Ciências Políticas (USJ-Beirute) e Propaganda e Marketing (ESPM-São Paulo), tem cursos de extensão ou pós-graduação em: Comércio Exterior (FGV-São Paulo), Introdução à Teoria Política (PUC-São Paulo), Direito Internacional (PUC-SP) e cursou Filosofia no Collège Patriarcal Grec-Catholique (CPGC-Beirute). Domina os idiomas: Árabe, Francês, Inglês e Português e tem artigos publicados sobre Política Internacional, no Brasil e no Líbano. É ex-Diretor Executivo e atual Conselheiro do Conselho Superior de Administração da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira; foi Superintendente de Relações Internacionais da Federação do Comércio do Estado de São Paulo e é seu atual membro do Conselho de Comércio Exterior e atual Diretor do Centro do Comércio do Estado de São Paulo. É ex-Presidente e atual Diretor de Relações Internacionais do Instituto da Cultura Árabe.
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